Conhecer diferenças entre extravirgem, virgem e refinado ajuda consumidor a aproveitar melhor o ingrediente nas refeições da Páscoa
Muito além do chocolate e dos tradicionais ovos de Páscoa, um ingrediente silencioso ganha protagonismo nas cozinhas durante a Semana Santa: o azeite de oliva. Presente em receitas à base de peixes e frutos-do-mar, o produto se torna aliado tanto do sabor quanto da saúde, mas ainda levanta dúvidas entre consumidores sobre tipos, qualidade e formas corretas de uso.
Ingrediente clássico da culinária mediterrânea e cada vez mais incorporado à mesa brasileira, o azeite aparece em pratos típicos do período, como bacalhoadas, saladas, risotos e peixes grelhados. Mais do que um tempero, ele é considerado essencial para potencializar aromas e agregar valor nutricional às refeições — especialmente em uma época marcada pela substituição das carnes vermelhas por pescados.
Apesar da popularidade, muitos consumidores desconhecem as diferenças entre as variedades disponíveis no mercado. O azeite extravirgem, obtido na primeira prensagem das azeitonas, preserva compostos antioxidantes e é indicado principalmente para finalizar pratos ou temperar alimentos já prontos. Já o azeite virgem, com acidez um pouco maior, pode ser utilizado em refogados leves e marinadas. O azeite puro ou refinado, por suportar temperaturas mais elevadas, é mais adequado para frituras, como bolinhos de bacalhau e peixes empanados.
Especialistas orientam que a acidez é um dos principais indicadores de qualidade — no caso do extravirgem, deve ser inferior a 0,8%. O armazenamento também influencia diretamente na conservação das propriedades: o ideal é manter o produto em locais frescos, protegidos da luz e, preferencialmente, em embalagens de vidro escuro ou lata.
O uso correto do azeite também interfere nos benefícios nutricionais. Quando aquecido em excesso, o extravirgem perde parte de seus compostos antioxidantes, motivo pelo qual é recomendado adicioná-lo ao final do preparo ou em temperaturas mais baixas. Uma receita simples e comum na data é o salmão ao forno com ervas, preparado com limão-siciliano, alecrim e finalizado com azeite extravirgem antes de ir ao forno por cerca de 20 minutos.
Embora seja amplamente consumido atualmente, o azeite acompanha a humanidade há milênios. Registros históricos indicam que povos mediterrâneos, como gregos, romanos e fenícios, já cultivavam oliveiras e extraíam o óleo das azeitonas antes mesmo da era cristã. Na Grécia Antiga, o produto ganhou importância cultural e alimentar, status que mantém até hoje.
Segundo o Conselho Oleícola Internacional, o Brasil ocupa a posição de segundo maior importador mundial de azeite. A qualidade do produto que chega ao consumidor é fiscalizada por auditores agropecuários, responsáveis por analisar desde a composição química até características sensoriais, como aroma e sabor, em laboratórios federais.
De acordo com a auditora agropecuária e coordenadora-geral da Qualidade Vegetal do Ministério da Agricultura e Pecuária, Helena Pan Rugeri, a análise começa pela verificação da identidade do produto. Após a confirmação química, o azeite passa por avaliação sensorial, que determina sua classificação em extravirgem, virgem ou lampante.
Conhecido como “ouro líquido” nas regiões mediterrâneas, o azeite é rico em gorduras monoinsaturadas, ômega 9, vitaminas, minerais e antioxidantes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias e contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares e redução do colesterol.
Para evitar problemas, especialistas recomendam atenção na hora da compra. A orientação é verificar no site do Ministério da Agricultura e Pecuária se há alertas ou recolhimentos de marcas e desconfiar de preços muito abaixo da média, já que a produção de azeite extravirgem de qualidade possui custos elevados.




















