Pacífico atinge limite de aquecimento e indica chegada do El Niño

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El Niño ilustrado no globo terrestre (Foto: NOAA)

Fenômeno ainda não foi declarado, mas deve se formar entre maio e junho

O Oceano Pacífico deu um sinal importante nesta semana: pela primeira vez em 2026, as águas da região central equatorial atingiram o nível mínimo de aquecimento que indica a possível formação do El Niño. A marca foi registrada na segunda-feira (20), quando a área conhecida como Niño 3.4 — considerada referência oficial para monitoramento — chegou a uma anomalia de +0,5°C. Esse é exatamente o limite usado pela ciência para caracterizar o início do fenômeno climático.

Apesar disso, o El Niño ainda não foi oficialmente declarado. Para que isso ocorra, é necessário que o aquecimento se mantenha por várias semanas consecutivas e venha acompanhado de mudanças na circulação da atmosfera.

O dado atual representa o primeiro sinal concreto desde maio de 2024, quando o fenômeno já influenciava eventos extremos no Brasil, como as enchentes no Sul do país.

Segundo especialistas, a tendência é de que o El Niño se consolide entre maio e junho. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos estima 61% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho, com possibilidade de duração até o fim de 2026.

A análise, no entanto, ficou mais complexa neste ano. A NOAA passou a utilizar um novo método que desconta o aquecimento global dos oceanos antes de medir o Pacífico. Com esse critério mais rigoroso, o índice ainda aparece negativo, o que tecnicamente mantém o cenário dentro da fase de La Niña, embora em enfraquecimento.

Mesmo assim, outros indicadores reforçam a tendência de aquecimento. As camadas mais profundas do oceano vêm acumulando calor desde o fim de 2025, e essa energia tende a subir para a superfície nas próximas semanas, acelerando a formação do fenômeno.

A intensidade do próximo evento ainda é incerta. Projeções indicam chances semelhantes de um El Niño moderado, forte ou muito forte, com possibilidade de entrar entre os episódios mais intensos já registrados.

No Brasil, os impactos costumam variar por região. Historicamente, o fenômeno provoca aumento de chuvas no Sul, com maior risco de eventos extremos, enquanto o Norte e parte do Nordeste tendem a enfrentar períodos mais secos. No Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos costumam ser mais irregulares, com alternância entre chuva e calor.

Além disso, o El Niño contribui para elevar as temperaturas globais, somando-se aos efeitos do aquecimento climático já em curso.