Aliados veem desgaste de Zema e travam avanço como vice de Flávio Bolsonaro

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Discurso de Zema gera resistência no PL e complica formação de chapa (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Postura mais dura contra o STF é apontada como obstáculo para atrair eleitores de centro

A possível composição de chapa para as eleições de 2026 começa a gerar ruídos dentro do Partido Liberal (PL). O nome do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como eventual vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta resistência após recentes declarações do mineiro contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que o tom mais crítico adotado por Zema nas últimas semanas pode atrapalhar a estratégia eleitoral do senador. A leitura é de que, para uma disputa nacional, será necessário ampliar o alcance para além da base mais alinhada à direita, buscando também eleitores de centro.

As críticas do ex-governador à Corte, incluindo declarações e sátiras ao que chamou de “intocáveis de Brasília”, provocaram reação no STF. O ministro Gilmar Mendes solicitou a inclusão de Zema no inquérito das fake news, que investiga ataques às instituições democráticas e a integrantes do tribunal.

Outro fator que pesa internamente é uma declaração feita por Zema em 2023, quando afirmou que o Nordeste seria uma “vaquinha que produz pouco”. A fala ainda repercute negativamente entre aliados, sobretudo diante da relevância da região em eleições nacionais.

Dentro do PL, há o entendimento de que Flávio Bolsonaro precisará ampliar sua presença no Nordeste, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém forte apoio. Nesse cenário, desgastes políticos na região são vistos como um possível entrave.

Apesar das resistências, o senador tem afirmado que a definição sobre o vice deve ocorrer apenas em junho. A estratégia do partido inclui testar nomes em pesquisas antes de uma decisão final.

Além de Zema, outros nomes seguem no radar. Entre eles, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que já declarou não ter interesse na vaga, além das deputadas Simone Marchetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), e da vereadora Priscila Costa (PL), citada como uma das principais lideranças no Nordeste.

A definição da chapa ainda depende do avanço das articulações políticas e do desempenho dos nomes avaliados nas pesquisas internas do partido.