Relator pede suspensão de Marcos Pollon por ocupação da Mesa da Câmara

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(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Conselho de Ética adiou votação após pedido de vista da oposição

A possível suspensão do mandato do deputado federal Marcos Pollon voltou ao centro das discussões no Conselho de Ética da Câmara nesta terça-feira (28), após o relator do caso pedir punição de dois meses ao parlamentar sul-mato-grossense. A análise, porém, acabou adiada depois de um pedido de vista apresentado pela oposição.

O parecer foi apresentado pelo deputado Moses Rodrigues, relator das representações que investigam parlamentares envolvidos na ocupação da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025, durante protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Segundo o relatório, Pollon participou diretamente da ocupação do plenário e teria sentado na cadeira destinada à presidência da sessão para impedir o retorno de Hugo Motta à condução dos trabalhos.

O documento também cita os deputados Marcel Van Hattem e Zé Trovão, acusados de atuar no bloqueio da Mesa Diretora durante o protesto, que interrompeu as atividades da Câmara por cerca de 40 horas.

Ao defender a punição, Moses Rodrigues afirmou que a ocupação do espaço de deliberação comprometeu o funcionamento do Parlamento.

“Não se pode admitir que um grupo de parlamentares tente impor sua pauta mediante ocupação física dos espaços”, afirmou o relator durante a leitura do parecer.

Segundo o documento, há registros audiovisuais que comprovariam a participação dos deputados no episódio.

Além desse processo, Marcos Pollon responde a outra representação relacionada ao mesmo ato. Nesse caso, o deputado é acusado pela Mesa Diretora de ter feito ofensas pessoais contra Hugo Motta durante a ocupação do plenário.

O relatório dessa segunda ação, elaborado pelo deputado Ricardo Maia, recomenda suspensão de 90 dias apenas para o parlamentar de Mato Grosso do Sul.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, pediu vista dos dois pareceres, o que adiou a votação para a próxima reunião do Conselho de Ética.

Em nota, Pollon negou irregularidades e afirmou ser alvo de perseguição política. “Isso não é sobre ética, é sobre calar quem denuncia e luta contra injustiças. Estão tentando punir um parlamentar que teve coragem de defender brasileiros”, declarou.

O deputado também afirmou que continuará defendendo a anistia e criticando decisões que considera abusivas dentro do Congresso Nacional.

A próxima sessão do Conselho de Ética deverá definir se o colegiado aprova ou rejeita as punições sugeridas pelos relatores.