Por que a Lava Jato do Brasil desperta tensão entre bancos na Suíça

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31/05/2019 20h
Por: Folha Press

Em escritórios de bancos suíços em Zurique, Genebra ou Lugano, falar de Lava Jato cria uma mistura de tensão e ansiedade. Não são poucos os gerentes de contas, operadores e representantes de algumas dessas instituições que buscam ativamente informações sobre eventuais processos contra seus bancos. Outros tantos ainda vasculham processos, delações, sites brasileiros e documentos para saber se seus nomes foram citados por delatores, no Brasil ou na Suíça.

Desde o ano passado, procuradores suíços têm feito viagens ao Brasil para colher depoimentos de condenados na Operação Lava Jato. O objetivo: garimpar nomes de banqueiros, gerentes e esquemas que teriam auxiliado na lavagem de dinheiro.

Em Berna, o momento é conhecido como “a terceira fase” da Lava Jato suíça. Se numa primeira etapa os inquéritos se concentraram nos indivíduos subornados, a segunda fase focou nas empresas que pagaram a corrupção. Agora, o alvo é o setor que facilitou esse pagamento: os bancos e operadores.

Pessoas próximas às investigações na Suíça estimam que as autoridades brasileiras teriam a oportunidade de abrir processos nos tribunais do país europeu em busca de uma restituição que seria muito superior ao valor das contas bloqueadas dos suspeitos.

Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress