Artesanato e empreendedorismo mudam rotina de mães em Campo Grande

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Mulheres usam artesanato sustentável como caminho para renda e fortalecimento pessoal (Foto: PMCG)

Participantes relatam mais independência financeira, convivência e confiança após oficinas

Entre linhas, tecidos, artesanato e conversas compartilhadas, mulheres de Campo Grande têm encontrado mais do que uma forma de complementar a renda. Em meio à rotina de mães, avós e cuidadoras, oficinas voltadas ao empreendedorismo e ao artesanato sustentável passaram a representar também acolhimento, independência financeira e reconstrução da autoestima.

As atividades são promovidas por meio de parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) e a Escola Mãe Luz, com ações voltadas à qualificação profissional, inclusão social e geração de renda. As oficinas também garantem acessibilidade para mulheres surdas, ampliando a participação nas atividades.

Para muitas participantes, os encontros representam um recomeço. É o caso de Ligianilma Santos, de 50 anos, mãe de duas filhas. Surda, ela conta que aprendeu técnicas de costura nas oficinas e passou a enxergar uma possibilidade de autonomia financeira.

“É muito importante, porque aprendi a costurar para poder vender e ter meu próprio dinheiro”, afirmou.

Além do aprendizado profissional, ela destaca o orgulho da trajetória construída ao lado das filhas. “É maravilhoso. Sempre trabalhei e cuidei delas, e elas têm muito carinho por mim”, disse.

A transformação também aparece na vida de Tatiana Costa Fernandes Ledeiros, de 50 anos, mãe e avó. Segundo ela, o projeto ajudou mulheres a saírem do isolamento e a criarem novas perspectivas.

“É um projeto maravilhoso, que tira a gente da zona de conforto. Além disso, mães e avós passam a ter uma ocupação e uma oportunidade de renda”, contou.

Tatiana afirma que o ambiente de convivência fortalece os vínculos entre as participantes. “A gente percebe que não está sozinha. Compartilhar experiências ajuda a refletir sobre os problemas e encontrar soluções”, completou.

Para Neiva Picolin, de 68 anos, as oficinas também ajudaram a enfrentar a solidão. Trabalhando em home office, ela encontrou nas atividades um espaço de convivência e bem-estar emocional.

“Sair de casa para aprender é muito bom. Aqui a gente faz amizade, cria vínculos e nem tem tempo para pensar em coisas ruins”, relatou.

Além da troca de experiências, a possibilidade de comercializar os produtos produzidos nas oficinas surge como incentivo extra para mulheres que buscam independência financeira.

A intérprete Zenir Midon Roa, de 59 anos, destaca que as atividades têm impacto direto na autonomia feminina, especialmente entre mulheres sem emprego formal.

“Elas aplicam o que aprendem nas oficinas e se tornam independentes. Conseguem gerar renda com o próprio trabalho”, explicou.

Zenir também atua na inclusão de mulheres surdas durante as aulas e relembra os próprios desafios para conciliar maternidade, trabalho e estudos. “Consegui me formar aos 52 anos”, contou.

As mudanças alcançam também a autoestima das participantes. Mariana Madalena Aparecida de Jesus, de 43 anos, afirma que passou a se comunicar melhor e ganhou mais confiança após ingressar nas oficinas.

“Eu era muito tímida, mas depois que entrei aqui mudei muito. Hoje consigo me comunicar melhor, inclusive para vender meus produtos”, disse.

Segundo ela, a transformação é percebida até dentro de casa. “Meus filhos dizem que sou outra pessoa. Tenho mais opinião, mais firmeza, e eles têm orgulho de mim”, afirmou.

As oficinas integram ações voltadas à inclusão social, qualificação profissional e fortalecimento do papel feminino na sociedade. Para o secretário municipal da Semades, Ademar Silva Junior, iniciativas como essa ajudam a ampliar oportunidades e estimular a independência das mulheres.

“Iniciativas como essa promovem autonomia e fortalecem o papel das mulheres, especialmente das mães, na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”, destacou.

Na semana do Dia das Mães, histórias como essas mostram que o aprendizado e o empreendedorismo têm ajudado mulheres a transformar realidades, criar novas oportunidades e reconstruir trajetórias por meio da convivência e da autonomia.