Rezadores Guarani e Kaiowá e artistas internacionais lançam álbum nas plataformas digitais

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Foto: Divulgação

Há sons que não cabem apenas nos ouvidos. Há sons que atravessam o corpo e abrem caminhos entre mundos. Para os povos Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, o som nunca foi apenas música: é tecnologia ancestral, reza e conhecimento vivo: o Mba’ekuaa.

É a partir dessa compreensão que nasce “Shamans in Space”, álbum que já circula em vinil por cerca de 5 mil lojas ao redor do mundo e que agora chega às plataformas digitais (Spotify, Deezer, Apple Music, YouTube Music, entre outras), ampliando o alcance de um projeto que reúne rezadores e rezadoras do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, o rap indígena de Kelvin Mbaretê (Brô MC’s) e artistas da música eletrônica internacional.

No centro do processo estão as lideranças espirituais Guarani e Kaiowá, que não apenas participam, mas dirigem o projeto. São elas que definem o que pode ser compartilhado e o que deve permanecer sagrado. “A gente fez questão de que tudo fosse construído com os anciãos, etapa por etapa. Eles são os diretores de tudo”, afirma a coordenadora e pesquisadora Fabi Fernandes.

Ao lado dessas vozes, o rapper indígena Kelvin Mbaretê transforma música em território e espiritualidade. “A música deixa de ser só música. Ela vira reza, vira mensagem, vira cura”, resume.

O projeto também reúne nomes centrais da música internacional, como o produtor britânico Martin “Youth” Glover (Paul McCartney, Pink Floyd, U2), Matt Black (Ninja Tune) e o músico Tymon Dogg, que participou de álbuns The Clash. Para Youth, o encontro amplia o papel da música no mundo contemporâneo. “A música pode nos reconectar com nós mesmos, com a Terra e com o cosmos”.

Rezadores Guarani e Kaiowá e artistas internacionais lançam álbum nas plataformas digitais
Foto: Divulgação

A construção do álbum foi acompanhada pelo Dj indígena Scott Hill, que destaca que o processo não partiu da mistura, mas do reconhecimento. “Não foi sobre juntar duas coisas diferentes, mas entender que elas já estavam conectadas”.

Essa escuta também definiu limites claros. Parte das faixas nasce do diálogo entre música eletrônica e cantos tradicionais autorizados, como guahú e guaxiré. Já as rezas sagradas foram preservadas sem interferência e podem ser acessadas por meio de um QR Code presente no vinil, em um registro especial com cerca de 15 minutos de cantos em sua forma original.

Resultado de uma parceria entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a University College London e o Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC), o projeto propõe um novo modelo de criação artística, baseado em escuta, ética e colaboração.

o álbum reúne Martin “Youth” Glover, Matt Black e Tymon Dogg, ao lado de Kelvin Mbaretê e das lideranças espirituais Guarani e Kaiowá Nhandesy Roseli, Nhandesy Fausta e Nhanderu Tadeu, responsáveis pela direção espiritual e curadoria dos cantos. A coordenação é de Raffaella Fryer-Moreira e Fabi Fernandes e do DJ indígena Scott Hill.

Mais do que um lançamento musical, “Shamans in Space” afirma outra forma de relação com o som — não como produto, mas como conhecimento, memória e conexão entre mundos.

Ouça o álbum:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0aqPXiSCdz60URIMPdldOU
Deezer: https://link.deezer.com/s/33bsEvuelBXwn1xIQ6Zmg
Apple Music: https://music.apple.com/br/album/shamans-in-space/1893333289
Youtube Music: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kYsRUr1BfQQrDpZB0Lat870kHdRtVA2lA