PEC do fim da escala 6×1 avança com consenso sobre jornada de 40 horas e escala 5×2

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Luiz Marinho, ministro do Trabalho, durante comissão especial para discutir o fim da 6x1 (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)

Comissão especial da Câmara ainda discute prazo de adaptação das empresas e incentivos fiscais

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil já tem três pontos de consenso entre deputados da comissão especial da Câmara: jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso, limite de 40 horas semanais e manutenção dos salários. Apesar do avanço nas negociações, o texto ainda enfrenta impasses sobre o tempo de adaptação das empresas e possíveis incentivos fiscais para os empregadores.

A PEC que altera o modelo atual de jornada de trabalho está em debate no Congresso Nacional e deve ter relatório votado até 26 de maio. Integrantes da comissão avaliam que já existe alinhamento sobre a criação da escala 5×2 sem redução salarial, mas divergências permanecem em relação às regras de transição e ao impacto econômico da mudança.

O governo federal defende que a nova jornada entre em vigor de forma imediata, com um período curto de adaptação para as empresas. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, seis meses seriam suficientes para adequação operacional.

“A PEC determina a jornada máxima que vai vigorar no país, quais as regras gerais, mas o PL tem papel nos detalhes, nas regras específicas”, afirmou o ministro ao defender a divisão das mudanças entre proposta de emenda constitucional e projeto de lei.

Já parlamentares da oposição argumentam que a implementação precisa ocorrer de forma gradual. Alguns defendem prazo de até dez anos para adaptação das empresas à nova carga horária.

Outro ponto de disputa envolve a possibilidade de incentivos fiscais para compensar custos adicionais aos empregadores. A oposição sustenta que a redução da jornada pode exigir novas contratações, elevando despesas das empresas.

O governo, por outro lado, rejeita a ideia de compensações tributárias ou econômicas ligadas à mudança.

O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), e o presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), afirmaram que os pontos já consensuais vão orientar a elaboração do relatório final, enquanto os demais temas seguem em negociação até a votação.

Como alternativa para destravar o debate, o governo passou a defender que detalhes específicos da nova regulamentação sejam tratados em um projeto de lei enviado pelo Executivo, enquanto a PEC ficaria restrita às regras gerais da jornada.

Entre os temas que poderiam ser regulamentados pelo projeto estão regras por categoria profissional, acordos coletivos e escalas específicas de setores como saúde e segurança pública, que hoje funcionam em modelos diferenciados.

A base governista avalia que definições como distribuição de folgas e adequações setoriais podem ser negociadas por convenções coletivas.

O projeto de lei tramita em regime de urgência e precisa ser votado até o fim de maio na Câmara. Já a PEC necessita de apoio mais amplo: são necessários ao menos 308 votos favoráveis no plenário para aprovação. O projeto de lei exige maioria simples, equivalente a 257 votos.