IR 2026: Receita explica como descobrir rapidamente se declaração foi retida

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Contribuinte já consegue verificar no dia seguinte se IR 2026 tem pendências (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Sistema informa pendências após processamento; erros de empresas elevam casos de malha fina

O contribuinte que entregou a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 já consegue descobrir, em muitos casos no dia seguinte ao envio, se está com a situação regular ou se caiu na chamada “malha fina”. A consulta pode ser feita pela internet, por meio do sistema da Receita Federal.

De acordo com a Receita Federal, tecnicamente não existe uma situação chamada “malha fina”. O que ocorre é o apontamento de pendências na declaração entregue pelo contribuinte. “Quando você entrega a declaração em um dia, normalmente no outro ela já está processada. As exceções são o início e o fim do prazo, quando o volume de envios é muito grande”, afirmou a Receita.

Neste ano, o prazo para entrega começou em 23 de março e segue até 29 de maio. A Receita Federal estima receber 44 milhões de declarações. Até o início da manhã deste sábado (16), cerca de 24,9 milhões já haviam sido transmitidas. Em Mato Grosso do Sul foram recebidas 372.392 das 647.829 declarações previstas pela Receita Federal.

Quem perder o prazo estará sujeito ao pagamento de multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

Como consultar a situação da declaração

Para verificar se a declaração foi processada ou possui pendências, o contribuinte deve acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal utilizando uma conta gov.br nos níveis prata ou ouro.

No sistema, é preciso acessar a opção “Declarações e Demonstrativos”, depois clicar em “Meu Imposto de Renda” e selecionar a declaração de 2026.

O portal irá informar se:

  • a declaração foi processada normalmente;
  • existem pendências, situação conhecida popularmente como “malha fina”.

O que significa cair na malha fina?

Quando a Receita identifica divergências entre os dados informados pelo contribuinte e as informações recebidas de empresas, bancos, planos de saúde ou prestadores de serviço, a declaração fica retida para análise.

Segundo a Receita Federal, o problema pode ter origem tanto em erro do próprio contribuinte quanto em informações incorretas enviadas por empresas ou terceiros. “Há uma divergência entre o que o contribuinte informou e o que a Receita sabe sobre ele. Nesse caso, alguém está errado nessa história”, explicou.

Quando o erro for do contribuinte, a orientação é enviar uma declaração retificadora corrigindo os dados. Após a correção, a declaração deixa a malha fina.

Já quando a inconsistência for causada pela fonte pagadora ou por prestadores de serviço, o trabalhador deve aguardar a empresa corrigir as informações repassadas ao Fisco.

Mudança nas regras elevou retenções

A Receita Federal também informou que o número de declarações retidas aumentou neste ano por causa da substituição da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf).

Com o fim da obrigação, os dados passaram a ser obtidos por meio de novas bases digitais alimentadas diretamente pelas empresas. Em muitos casos, segundo o órgão, informações incorretas foram enviadas tanto à Receita quanto aos trabalhadores. “Ele entregou os valores certos, é a empresa que está errada. Muitas empresas já sabem que precisam corrigir isso”, informou a Receita Federal.

A expectativa da Receita é que boa parte das pendências seja resolvida ao longo dos próximos meses, seja por retificação do contribuinte ou correção feita pelas empresas.

Envio de comprovantes só em 2027

Nos casos em que o contribuinte conferiu todos os documentos e acredita que os dados enviados estão corretos, mas a empresa ainda não corrigiu as informações, será possível encaminhar comprovantes diretamente pelo e-CAC a partir de janeiro de 2027.

Segundo a Receita, antes desse período o envio não é permitido justamente porque as empresas ainda terão prazo para ajustar os dados enviados ao sistema federal.