El Niño deve voltar no segundo semestre, mas intensidade ainda é incerta, alertam especialistas

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(Foto: Reprodução/MetSul Meteorologia)

Fenômeno climático tem mais de 90% de chance de se formar a partir da primavera, segundo a NOAA

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico já acendeu o alerta dos meteorologistas para a possível volta do El Niño nos próximos meses. Embora os modelos climáticos indiquem alta probabilidade de formação do fenômeno entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, especialistas reforçam que ainda é cedo para cravar qual será a intensidade dos impactos no Brasil.

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), uma das principais referências mundiais em monitoramento climático, há 60% de chance de desenvolvimento do El Niño no trimestre entre maio, junho e julho. As probabilidades sobem para mais de 90% a partir da primavera, em setembro, tornando praticamente certa a atuação do fenôeno na segunda metade do ano.

Apesar disso, pesquisadores alertam que previsões sobre um possível El Niño “forte” ou “muito forte” ainda carregam elevado grau de incerteza. Modelos climáticos conseguem antecipar tendências com meses de antecedência, mas estimativas de intensidade para períodos mais longos ainda podem mudar significativamente.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais da região equatorial do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. O fenômeno faz parte do chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que também inclui a La Niña, caracterizada pelo resfriamento dessas águas.

Os efeitos do El Niño são sentidos em diversas partes do planeta. No Brasil, historicamente, o fenômeno costuma provocar aumento das chuvas na Região Sul, estiagens na Amazônia e no Nordeste, além de favorecer ondas de calor em áreas do Centro-Oeste e Sudeste.

Eventos extremos registrados recentemente também foram associados ao fenômeno. Em 2023 e 2024, por exemplo, a combinação entre calor intenso e seca agravou incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, além de provocar a morte de mais de 200 botos-cor-de-rosa devido ao estresse térmico. Já no Sul do país, enchentes severas atingiram o Rio Grande do Sul durante períodos de atuação do El Niño.

Especialistas, porém, ressaltam que o fenômeno não é o único responsável pelos desastres climáticos. Segundo os pesquisadores, fatores como vulnerabilidade social, ocupação urbana inadequada e mudanças climáticas globais também influenciam diretamente os impactos observados.

Os estudos mais recentes indicam atualmente 25% de chance de formação de um El Niño forte e outros 25% de probabilidade de um episódio muito forte entre 2026 e 2027. Ainda assim, instituições internacionais, como o Instituto Internacional de Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI), destacam que as previsões feitas nesta época do ano apresentam alto nível de incerteza.

Outro ponto destacado pelos especialistas é que nem sempre a intensidade do fenômeno corresponde diretamente à gravidade dos impactos. Mesmo episódios moderados podem provocar consequências severas dependendo das condições climáticas e ambientais já existentes em cada região.

Por isso, pesquisadores defendem cautela diante de previsões alarmistas divulgadas recentemente sobre possíveis secas extremas na Amazônia e no Nordeste, além de chuvas catastróficas no Sul do país. Segundo eles, muitos desses cenários ainda não possuem respaldo científico suficiente.

O monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas seguirá sendo fundamental nos próximos meses para entender a evolução do fenômeno e prever seus possíveis efeitos no Brasil e no mundo.