Procuradoria avalia anexos apresentados pela defesa do dono do Banco Master e ainda não decidiu sobre acordo
Mesmo após a Polícia Federal rejeitar a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, as negociações ainda seguem abertas em Brasília. A palavra final, agora, está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, que continua analisando os anexos apresentados pela defesa do dono do Banco Master.
Como titular da ação penal, a PGR tem autonomia para conduzir as tratativas independentemente da decisão da Polícia Federal e pode decidir pela continuidade da negociação mesmo após a recusa da corporação.
Nos bastidores, procuradores responsáveis pelo caso ainda avaliam o conteúdo entregue pelos advogados de Vorcaro e não chegaram a um consenso sobre aceitar ou rejeitar o acordo. Segundo informações apuradas, há resistências internas dentro da própria PGR quanto à efetividade da colaboração proposta.
Caso a Procuradoria opte por rejeitar a delação, a tendência é de encerramento das negociações, repetindo o posicionamento adotado pela Polícia Federal. Ainda assim, fontes ligadas às conversas afirmam que eventuais novas tratativas poderão ocorrer futuramente, caso a defesa apresente fatos inéditos ou novos elementos considerados relevantes.
A PF rejeitou oficialmente a proposta nesta quarta-feira (20). O entendimento dos investigadores é de que Daniel Vorcaro não apresentou informações novas em relação ao que já havia sido levantado pelas apurações em andamento.
Apesar disso, a defesa do ex-banqueiro mantém diálogo com a PGR. Em reunião realizada em Brasília na tarde de quarta-feira, integrantes da Procuradoria sinalizaram interesse em continuar analisando a possibilidade de colaboração.
Daniel Vorcaro está preso desde o dia 4 de março, suspeito de envolvimento em fraudes financeiras. Na última segunda-feira (18), ele foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF, em Brasília. O movimento foi interpretado nos bastidores como mais um indicativo do desgaste da relação entre o investigado e a corporação, que considerava a proposta de delação incompleta e seletiva.
A primeira proposta formal de colaboração foi entregue no início de maio à PF e à PGR. Desde então, investigadores analisam se os relatos apresentados possuem informações inéditas, capacidade de comprovação e potencial de ressarcimento aos cofres públicos pelos prejuízos causados pelo suposto esquema criminoso.
Até o momento, segundo avaliações internas, tanto delegados da Polícia Federal quanto integrantes da Procuradoria ainda não estão convencidos da consistência e da viabilidade do acordo apresentado pela defesa do ex-banqueiro.





















