Médicos são capacitados sobre intoxicação por agrotóxicos

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Fotos: PMCG

Médicos da Atenção Primária e dos serviços de Urgência e Emergência da Rede de Atenção à Saúde (RAS) de Campo Grande participaram nesta semana, da capacitação “Intoxicação Exógena por Agrotóxicos”, promovida pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest Regional), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Realizado na Associação Brasileira de Odontologia – Seção Mato Grosso do Sul (ABO-MS), o treinamento reuniu cerca de 60 profissionais da saúde, com foco na identificação, manejo clínico e notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados de intoxicação por agrotóxicos.

Médicos são capacitados sobre intoxicação por agrotóxicos

A capacitação teve como objetivo fortalecer a vigilância em saúde e qualificar a assistência prestada à população, diante da realidade de Mato Grosso do Sul, estado com forte atividade agropecuária.

Durante as quatro horas de treinamento, os participantes receberam orientações sobre sintomas, diagnóstico, manejo clínico e preenchimento correto das notificações, considerado um dos principais desafios enfrentados pela saúde pública.

A coordenadora do CEREST Regional Campo Grande, Keila Barreto, destacou a importância da identificação dos casos para atuação preventiva das equipes de vigilância.

Médicos são capacitados sobre intoxicação por agrotóxicos

“Precisamos saber onde essa intoxicação está acontecendo para que possamos intervir, orientar sobre o uso correto, armazenamento e manejo desses produtos. Muitas vezes, o uso inadequado coloca em risco a saúde do trabalhador”, afirmou.

Entre os instrutores estiveram o médico dermatologista Alexandre Moretti de Lima, responsável pelo Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (CIVITOX/MS), e o farmacêutico bioquímico Marcos Antônio Rodrigues, que abordou a importância da notificação adequada dos casos.

Segundo os especialistas, sintomas como náusea, vômito, dor de cabeça e diarreia podem estar relacionados à exposição a agrotóxicos e, muitas vezes, acabam sendo registrados como outras doenças, o que contribui para a subnotificação.

A médica Giovanna Fontoura, da área técnica de Atenção Primária da Sesau, reforçou a necessidade de os profissionais considerarem a exposição ocupacional durante os atendimentos.

Médicos são capacitados sobre intoxicação por agrotóxicos

“É importante investigar onde o paciente trabalha, quando os sintomas começaram e se há possibilidade de exposição. Esse olhar facilita o diagnóstico e torna o atendimento mais ágil”, pontuou.

CEREST de Campo Grande avança em processo de municipalização

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) Regional de Campo Grande segue em processo de municipalização, medida que permitirá ao município ampliar a autonomia na execução e monitoramento das ações voltadas à saúde do trabalhador.

A proposta já foi pactuada na Comissão Intergestores Regional (CIR), no Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS) e homologada pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

Com a mudança, Campo Grande poderá ter gestão direta do serviço, garantindo mais agilidade administrativa, fortalecimento da vigilância em saúde do trabalhador e maior alinhamento das ações às demandas locais.

Atualmente, o CEREST de Campo Grande é destaque nacional e foi a única unidade de Mato Grosso do Sul a alcançar nota máxima na avaliação do Ministério da Saúde em 2025.