A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Neuro Complexus, que investiga um esquema criminoso responsável por desviar cerca de R$ 6,5 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes em ações judiciais para custeio de neurocirurgias.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada, dividido em três núcleos:
- Núcleo médico: composto por três neurocirurgiões, que elaboravam orçamentos com valores até 70% superiores aos praticados no mercado, realizavam os procedimentos e recebiam os recursos públicos.
- Núcleo jurídico: liderado por uma advogada, que ajuizou ao menos 40 ações idênticas a partir de 2022, pedindo o bloqueio de verbas públicas sob a alegação de urgência nos atendimentos.
- Interlocução: feita por um policial civil aposentado, ex-servidor da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que fazia a ligação entre os médicos e a área jurídica.
O mecanismo consistia em usar a via judicial para obrigar o Estado a pagar valores superfaturados, beneficiando empresas ligadas aos profissionais envolvidos. O esquema foi identificado após análise do Núcleo Estratégico da Procuradoria da Saúde da PGE, que percebeu o padrão suspeito nos processos.
Ações da operação
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços de Campo Grande, incluindo um consultório no Condomínio The Place, na Avenida Afonso Pena. Durante as diligências, foram apreendidos:
✅ R$ 222.050,00 em espécie;
✅ Notebooks, celulares, cartões de memória e documentos.
A investigação agora avança para apurar também o crime de lavagem de dinheiro, já que foram identificadas movimentações suspeitas de valores entre os envolvidos e suas empresas. O objetivo é recuperar os recursos desviados e responsabilizar todos os participantes.
Participação e posicionamento
As ações contaram com apoio de outras delegacias especializadas e, no caso da advogada investigada, a atuação foi acompanhada pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS. A Ordem informou que adotará as medidas legais e disciplinares cabíveis, respeitando o direito de defesa.
Conforme o delegado Alexandro Mendes de Araújo, o valor desviado poderia ter sido aplicado em serviços de saúde básica para a população. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados até o momento, e as investigações seguem em andamento.





















