A equipe nomeada nessa terça-feira (16) pela Prefeitura de Campo Grande já iniciou os trabalhos práticos da intervenção no Consórcio Guaicurus, coletivo de empresas responsáveis pela operação do transporte público. Em coletiva de imprensa, foi informado pela prefeita Adriane Lopes (PP) que todos os diretores da concessionária foram afastados das funções de gestão — medida preventiva prevista em lei — e a equipe já obteve acesso a sistemas, senhas, documentos e dados operacionais e financeiros das empresas.
Segundo o interventor-geral Aléxandro de Oliveira, o afastamento não tem caráter punitivo imediato, mas visa preservar as provas, evitar alterações indevidas nos registros e impedir qualquer risco de boicote ou sabotagem ao serviço. A transição ocorreu sem resistência: “Encontramos um cenário de cooperação. A concessionária recebeu a equipe de forma respeitosa e colaborou com o acesso às informações. Também trabalhamos para tranquilizar os funcionários e garantir que a rotina de atendimento à população não seja afetada.”
O principal objetivo da fase inicial é levantar dados detalhados sobre a real situação da concessão. A equipe analisa contratos, receitas, despesas, manutenção da frota, cumprimento de obrigações e movimentações financeiras. “Não podemos antecipar conclusões. Qualquer avaliação agora seria especulação. Precisamos de todos os dados para entender a raiz dos problemas e apresentar soluções técnicas”, explicou Aléxandro, que já participou de intervenção complexa no setor de saneamento em Cuiabá (MT).
Cronograma e desfecho possível
O prazo da intervenção é de até 180 dias, com etapas definidas:
- Até 30 dias: abertura do processo administrativo, garantindo defesa ao consórcio;
- Em 90 dias: entrega de relatório preliminar;
- Em 180 dias: relatório final que embasará a decisão da prefeita Adriane Lopes.
A chefe do Executivo confirmou que a rescisão do contrato é uma possibilidade, dependendo do que for apurado: “Diante dos diagnósticos, se os fatos conduzirem, pode ser uma opção. O que buscamos é garantir um serviço digno, seguro e de qualidade para a população.” No período da intervenção, a circulação dos ônibus segue normalmente, sem alterações em linhas, horários ou tarifas neste primeiro momento.
Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus informou que recebeu a medida com respeito às instituições, está analisando todos os seus termos e efeitos jurídicos e operacionais, e reafirma compromisso com a continuidade do serviço. Disse ainda que adotará as medidas legais para defender seus direitos ao longo do processo.





















