Professores da Capital rejeitam parcelamento até 2027 e pedem conclusão do reajuste ainda neste ano

26
(Foto: ACP MS)

Categoria aceita discutir parcelamento dos 5,4%, desde que todas as parcelas sejam quitadas até dezembro de 2026; Contraproposta será encaminhada à Prefeitura nesta quarta-feira

A negociação entre a Prefeitura de Campo Grande e os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) ganhou um novo capítulo na noite desta terça-feira (7). Em assembleia, a categoria recusou a proposta do Executivo de parcelar o reajuste salarial de 5,4% até janeiro de 2027 e aprovou uma contraproposta que mantém o percentual integral, mas prevê que o pagamento seja concluído ainda em 2026.

A decisão foi tomada durante reunião promovida pela ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), na sede da Fetems, após análise do documento encaminhado pela administração municipal horas antes.

Pela proposta da prefeitura, a recomposição do Piso Salarial Nacional do Magistério seria concedida em três etapas. O primeiro reajuste, de 1,7%, seria incorporado à folha de pagamento de setembro. Outro percentual de 1,7% seria aplicado em dezembro, totalizando 3,4%, enquanto os 2% restantes seriam pagos apenas em janeiro de 2027, completando os 5,4%.

Segundo o Executivo, o escalonamento considera as limitações orçamentárias do município e faz parte do plano de equilíbrio fiscal em andamento. O documento também prevê que a discussão sobre um acréscimo adicional de 3%, previsto na Lei Municipal nº 7.523/2025, fique para janeiro de 2027, quando haverá nova avaliação da situação financeira da prefeitura.

Categoria quer reajuste concluído neste ano

Durante a assembleia, os professores decidiram apresentar uma contraproposta ao município. A categoria aceita discutir o parcelamento do índice de 5,4%, desde que todas as parcelas sejam pagas até dezembro deste ano.

O texto aprovado não determina que a recomposição seja quitada em parcela única, mas estabelece como condição que nenhum percentual seja transferido para 2027.

Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, a principal reivindicação da categoria é garantir que a recomposição salarial seja efetivada ainda em 2026. “A assembleia deliberou que os 5,4% precisam ser pagos neste ano. A forma de parcelamento pode ser discutida, mas o entendimento da categoria é que o reajuste não deve avançar para 2027”, afirmou.

Novas reivindicações

Além da contraproposta salarial, os professores aprovaram outros encaminhamentos para dar continuidade às negociações.

Entre eles estão:

  • realização de uma nova reunião com a participação da prefeita Adriane Lopes;
  • publicação, no Diário Oficial do Município (Diogrande), da tabela salarial com os percentuais e prazos que vierem a ser acordados;
  • divulgação periódica das reuniões da comissão responsável pelo acompanhamento dos recursos destinados à educação.

A assembleia também elegeu três professores da base para integrar a comissão que acompanhará as próximas rodadas de negociação ao lado da diretoria da ACP.

Negociação continua

A contraproposta será protocolada pela ACP na Prefeitura de Campo Grande nesta quarta-feira (8). O sindicato também solicitará uma nova reunião com a administração municipal para tentar chegar a um acordo e evitar o agravamento do impasse.

As negociações se arrastam há várias semanas. Na segunda-feira (6), representantes da prefeitura, da Comissão de Educação da Câmara Municipal e da ACP permaneceram reunidos por cerca de três horas, mas encerraram o encontro sem consenso sobre o índice e o cronograma de pagamento.

Após a reunião, o sindicato informou que aguardaria apenas uma proposta oficial da prefeitura antes de decidir os próximos passos do movimento.

Prefeitura alegou limitações fiscais

Antes da assembleia, a prefeita Adriane Lopes afirmou que a administração buscava construir um entendimento com a categoria, mas ressaltou que qualquer reajuste precisa respeitar os limites financeiros do município.

Segundo ela, o impacto na folha de pagamento exige cautela durante a execução do plano de equilíbrio fiscal adotado pela gestão.

Com a rejeição da proposta inicial, a continuidade das negociações dependerá agora da análise da contraproposta apresentada pelos professores e de uma nova rodada de diálogo entre as partes.