“Beijo das aduelas” marca a conclusão da ligação física entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta
Depois de mais de três anos de obras, a Ponte da Rota Bioceânica está prestes a alcançar um dos momentos mais simbólicos de sua construção. A estrutura que ligará Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta deve ter as duas extremidades unidas entre segunda (14) e quarta-feira (15), concluindo a etapa conhecida na engenharia como “beijo das aduelas”.
O marco representa a ligação física entre Brasil e Paraguai sobre o Rio Paraguai. Restavam apenas cerca de 5,6 metros para o encontro das estruturas, segundo a coordenação da obra. Apesar da união das duas pontas, a ponte ainda passará por uma série de serviços antes de ser aberta ao tráfego de veículos.
A travessia internacional integra o Corredor Bioceânico, projeto que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma nova rota de escoamento da produção sul-americana até os portos chilenos no Oceano Pacífico.
Obra entra na fase final
Com a conclusão da estrutura principal, os trabalhos avançam para a etapa de acabamento. Entre os serviços previstos estão a implantação da pavimentação, calçadas, sinalização, iluminação viária e ornamental, além de dispositivos de segurança.
Também seguem em execução os viadutos nas cabeceiras da ponte e os acessos rodoviários em ambos os países.
No Paraguai, o acesso pavimentado que fará a ligação da ponte com a rodovia PY-15 avança com previsão de conclusão ainda neste ano.
Já no lado brasileiro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) executa a construção da alça de acesso entre a BR-267 e a ponte, em um trecho de 13,1 quilômetros, com investimento estimado em cerca de R$ 574 milhões. A entrega da infraestrutura está prevista para ocorrer apenas entre 2027 e 2028.
Estrutura estratégica para a logística
A ponte possui 1.294 metros de extensão, sendo aproximadamente 632 metros em trecho estaiado, sustentado por torres de 130 metros de altura. A pista terá 21 metros de largura, enquanto o vão central foi projetado para permitir a navegação segura no Rio Paraguai.
A obra recebeu investimento de aproximadamente US$ 100 milhões, financiados integralmente pela Itaipu Binacional, por meio da margem paraguaia.
A construção teve início oficialmente em janeiro de 2022 e faz parte de um pacote de investimentos superior a US$ 1,1 bilhão em infraestrutura executado pelo governo paraguaio ao longo do corredor rodoviário.
Corredor promete reduzir tempo e custos das exportações
Considerada uma das principais obras de infraestrutura da América do Sul, a Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho e seguirá pelo Paraguai, Argentina e Chile até alcançar os portos do Oceano Pacífico.
Segundo estimativas do Governo de Mato Grosso do Sul, o corredor permitirá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de cargas brasileiras destinadas aos mercados asiáticos, em comparação com a rota tradicional pelo Porto de Santos.
Além da economia logística, a expectativa é ampliar a competitividade de produtos como carnes, soja, açúcar, farelo e couro, fortalecendo o comércio exterior e transformando Mato Grosso do Sul em um dos principais corredores de integração entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Embora a união das estruturas simbolize a conclusão da ligação física entre os dois países, a circulação de veículos dependerá da finalização das obras complementares e da entrega dos acessos rodoviários em ambos os lados da fronteira.












