Um homem ainda não identificado, suspeito de integrar a organização criminosa que usava fotos de crianças doentes para aplicar golpes na internet, foi preso na manhã desta terça-feira (14) em Dourados, como parte da Operação Sophia.
A ação foi deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), com cumprimento de mandados em Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Ao todo, 16 pessoas foram presas preventivamente.
Origem da investigação
A apuração começou após a mãe de uma criança em tratamento contra o câncer registrar que imagens e vídeos da filha estavam sendo usados em anúncios pagos nas redes sociais, sem qualquer autorização, para pedir doações. A família nunca recebeu nenhum valor arrecadado.
A partir desse caso, os investigadores mapearam todo o fluxo financeiro e a estrutura do grupo, identificando funções específicas de cada integrante.
Como funcionava o golpe
O esquema era profissional e sofisticado:
- Usavam histórias reais ou inventadas de pessoas em situação de vulnerabilidade, com destaque para crianças com doenças graves;
- Criavam campanhas em páginas com nomes como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”, impulsionando os anúncios para amplo alcance;
- Ao clicar, o doador era levado para sites falsos que imitavam plataformas legítimas;
- Os valores, via Pix ou QR Code, caíam diretamente em contas controladas pelo grupo — nunca chegavam às pessoas retratadas.
Para dificultar a rastreabilidade, usavam empresas de fachada, contas de terceiros, intermediadoras de pagamento, domínios estrangeiros, proxies e ferramentas de camuflagem digital.
Valores desviados
Só na campanha que deu origem ao inquérito, foram rastreados ao menos R$ 294,5 mil. Já a empresa apontada como centro financeiro do grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.
As investigações também encontraram provas de que o grupo já pesquisava novas vítimas para continuar as fraudes.





















