Incêndio no Pantanal cruza fronteira e mobiliza força-tarefa entre Brasil e Bolívia

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(Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar)

Chamas atingiram o Parque Nacional de Otuquis, enquanto bombeiros enfrentam calor intenso, ventos fortes e baixa umidade

As chamas que começaram no Pantanal de Mato Grosso do Sul já ultrapassaram a fronteira com a Bolívia e mobilizam uma operação conjunta entre os dois países para conter o avanço do fogo. O incêndio, iniciado na região de Forte Coimbra, em Corumbá, atingiu o Parque Nacional e Área Natural de Manejo Integrado (PN ANMI) Otuquis, uma das principais unidades de conservação do Pantanal boliviano.

Desde que o fogo cruzou a fronteira internacional, brigadistas bolivianos passaram a atuar ao lado das equipes brasileiras. Imagens registradas na noite de sexta-feira (17) mostram militares combatendo as chamas em território boliviano, onde o incêndio continua avançando impulsionado pelo tempo seco, ventos fortes e altas temperaturas.

Para reforçar a operação, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) enviou equipes especializadas em incêndios florestais de Corumbá para a região da tríplice fronteira. Atualmente, a força-tarefa conta com três viaturas, 12 bombeiros atuando diretamente no combate ao fogo e equipes responsáveis pelo suporte logístico.

Segundo o subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, tenente-coronel Eduardo Rachid Teixeira, as condições meteorológicas seguem favorecendo a rápida propagação das chamas. “O incêndio se espalhou rapidamente em direção à Bolívia por causa dos ventos fortes, da baixa umidade relativa do ar e das temperaturas elevadas”, explicou.

Incêndio começou próximo à fronteira

O fogo teve início na noite de quarta-feira (15), na região de Forte Coimbra, e foi identificado durante a madrugada de quinta-feira (16) pelas equipes da Base Avançada do Corpo de Bombeiros.

Imagens de satélite indicam que o foco inicial surgiu a cerca de seis quilômetros da fronteira brasileira. Com rajadas de vento superiores a 40 km/h, o incêndio avançou rapidamente sobre a vegetação e alcançou o Parque Nacional Otuquis, na Bolívia.

No lado brasileiro, as chamas atingem principalmente propriedades particulares sem atividade produtiva. Já em território boliviano, o fogo avança sobre uma área de preservação ambiental.

Mudança do vento pode trazer fogo de volta ao Brasil

De acordo com o Corpo de Bombeiros, incêndios que cruzam a fronteira entre Brasil e Bolívia são frequentes no Pantanal, já que os dois países compartilham o mesmo bioma, com vegetação contínua e condições climáticas semelhantes.

Segundo Eduardo Rachid, caso a direção dos ventos mude, existe a possibilidade de as chamas retornarem ao território brasileiro. “A vegetação é contínua dos dois lados da fronteira. Assim como o fogo saiu do Brasil e avançou para a Bolívia, ele pode voltar se houver mudança na direção dos ventos”, afirmou.

Por causa desse cenário, autoridades brasileiras e bolivianas mantêm articulação permanente para coordenar as ações de combate e impedir que o incêndio ganhe novas proporções.

Pantanal registra aumento dos focos de calor

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que Corumbá contabiliza neste sábado (18) oito focos ativos de calor no Pantanal.

No acumulado entre 1º de janeiro e 17 de julho, o bioma registrou 232 focos de calor, mais que o dobro dos 113 identificados no mesmo período do ano passado, um aumento de aproximadamente 105%.

Até o momento, o Corpo de Bombeiros não divulgou uma estimativa da área atingida pelo incêndio. A prioridade, segundo a corporação, continua sendo conter o avanço das chamas.

Tempo seco mantém alerta

A previsão para os próximos dias indica que as condições climáticas continuarão desfavoráveis ao combate ao fogo. A combinação de calor intenso, baixa umidade do ar e ventos fortes deve favorecer a propagação das chamas.

Apesar disso, os bombeiros informam que o incêndio perde intensidade ao alcançar a margem do Rio Paraguai, que funciona como uma barreira natural ao avanço do fogo.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém Mato Grosso do Sul sob alerta de perigo para vendaval até a noite de domingo (19). Já o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) prevê umidade relativa do ar entre 10% e 30%, predominância de ventos do quadrante norte e ausência de chuva pelos próximos sete dias, cenário que mantém elevado o risco de novos incêndios florestais no Pantanal.