Caravana da Famasul visita usina de etanol para conhecer a produção de energia renovável em MS

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Foto: Divulgação

O que existe por trás do etanol que abastece milhares de veículos em Mato Grosso do Sul? Para entender melhor essa cadeia produtiva, um grupo de 15 colaboradores do Sistema Famasul participou, na última quinta-feira (16), de uma visita técnica à unidade Santa Luzia da Atvos, em Nova Alvorada do Sul. A atividade integrou o Movidos pelo Agro, iniciativa que incentiva o uso de biocombustíveis entre os colaboradores da Casa Rural e na frota da instituição.

A unidade Santa Luzia faz parte da primeira operação flex do Estado, capaz de produzir etanol tanto da cana-de-açúcar quanto do milho. Além do biocombustível, a empresa também produz bioeletricidade e biometano a partir do aproveitamento dessas matérias-primas. Essa integração entre diferentes fontes e produtos reflete uma característica do setor sucroenergético: o aproveitamento dos recursos agrícolas para a geração de energia renovável.

Para o coordenador de Inteligência e Negócios do Sistema Famasul e coordenador do Movidos pelo Agro, Beto do Valle, a visita amplia a compreensão sobre o setor agroenergético e fortalece o papel dos participantes como disseminadores desse conhecimento. “O conteúdo que estamos tendo sobre o setor agroenergético por meio da Atvos é de suma importância, porque vamos possibilitar que esses participantes sejam multiplicadores dessas informações entre os colegas e também para a sociedade sul-mato-grossense”, destaca.

O protagonismo do Estado nesse segmento é reforçado pelos números. Mato Grosso do Sul ocupa posição de destaque no cenário nacional, sendo atualmente o 4º maior produtor de cana-de-açúcar, o 4º maior produtor de etanol de cana, o 2º maior produtor de etanol de milho e o 4º maior exportador de bioeletricidade do Brasil. Na safra 2025/2026, foram produzidos 5 bilhões de litros de etanol, sendo 2,8 bilhões a partir da cana-de-açúcar e 2,2 bilhões do milho. 

O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar é um biocombustível renovável obtido por meio da fermentação dos açúcares presentes na planta. Entre seus diferenciais está a redução das emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis, além do aproveitamento integral da matéria-prima. O bagaço da cana, por exemplo, pode ser utilizado na geração de bioeletricidade, ampliando o uso dos recursos e fortalecendo uma cadeia que movimenta o agronegócio brasileiro.

Além das informações sobre a cadeia produtiva do biocombustível, os participantes também conheceram aspectos relacionados à operação da usina, como as práticas de segurança adotadas no campo e na indústria. Entre os pontos apresentados durante a visita, esteve o trabalho de prevenção e combate a incêndios, uma etapa fundamental para garantir a continuidade das atividades e a proteção das áreas agrícolas.

De acordo com o diretor de Operações Agroindustriais da Atvos, José Nozela, a visita reforça a conexão entre a atuação da empresa e a proposta do Movidos pelo Agro, que busca valorizar o uso de combustíveis renováveis e aproximar as pessoas da cadeia do etanol. “A nossa intenção é fomentar o agronegócio e o etanol de cana-de-açúcar, e a visita da Famasul faz total sentido, porque está em sintonia com a missão da Atvos de liderar essa transição energética por meio do uso de biocombustíveis. Ficamos muito felizes em receber a caravana e apresentar um pouco da nossa produção na unidade Santa Luzia”, reforça.

Quem também destacou a importância da experiência foi a analista de Compras e Licitações da Famasul, Neide Arguelho. Segundo ela, a visita proporcionou uma visão mais ampla sobre uma cadeia que muitas vezes não é percebida por quem está fora do campo. “Eu faço parte de uma área em que não tenho muita vivência no campo, mas achei muito importante conhecer um pouco mais da parte industrial e técnica desse projeto. Ver tudo o que acontece até chegar ao consumidor final, que somos nós, é impactante”, relata.

Movidos pelo Agro
Desenvolvido em parceria com a Biosul, o Movidos pelo Agro – Etanol integra uma iniciativa nacional voltada à sustentabilidade e à transição energética, incentivando o uso de biocombustíveis na mobilidade do setor agropecuário e da sociedade. Em Mato Grosso do Sul, a campanha aproxima os colaboradores da Casa Rural de uma cadeia estratégica para o Estado, valorizando uma fonte de energia renovável produzida no campo.

Desde o lançamento, em 2024, os participantes já consumiram mais de 160 mil litros de etanol, substituindo combustíveis fósseis por uma alternativa renovável. A iniciativa evitou a emissão estimada de 44,5 toneladas de CO₂ equivalente, considerando a troca da gasolina pelo etanol nos veículos institucionais e dos colaboradores, impacto semelhante ao plantio de aproximadamente 312 árvores. Ao considerar toda a cadeia produtiva do combustível, da produção ao consumo, a redução estimada chega a 59,7 toneladas de CO₂ equivalente, reforçando o papel do etanol na construção de uma economia de baixo carbono.