Capturado na Bolívia, Neno Razuk vai para presídio cumprir a pena de 15 anos

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Neno foi entregue à PF de Corumbá na noite de domingo (2). (Divulgação, Polícia Federal)

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), foi detido pela polícia boliviana na noite de domingo (2) e entregue à Polícia Federal na fronteira com Corumbá. Nesta segunda-feira (3), passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) e seguiu viagem rumo a Campo Grande por volta das 11h30, onde ficará recolhido ao sistema prisional.

Procurado pelas autoridades sul-mato-grossenses desde o início de julho, o político estava escondido na região de Santa Cruz de la Sierra pelo menos desde meados de maio, ou seja, não estava presente quando perdeu o mandato parlamentar por força da decisão da Justiça Eleitoral, consequentemente, ficando sem o foro privilegiado que impedia a sua prisão.

Em nota à imprensa, a defesa informou que o ex-parlamentar já se dirigia ao Brasil para se apresentar voluntariamente ao Gaeco, quando foi abordado pelas autoridades bolivianas por ingresso e permanência irregulares no país. A PF destacou em nota que a ação foi resultado de trabalho integrado com a Polícia Civil, Gaeco e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico da Bolívia.

“A atuação coordenada permitiu o compartilhamento célere de informações e o alinhamento operacional para a localização do alvo”. Neno Razul já estava com o nome na Difusão Vermelha da Interpol, apesar de não ter sido incluído no sistema oficial até então.

A defesa do político também destacou que “adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a inexistência dos requisitos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva, especialmente diante da ausência de contemporaneidade dos fundamentos utilizados para sua decretação, buscando o restabelecimento de sua liberdade, sem prejuízo da demonstração de sua inocência no curso do devido processo legal”.

Condenação e investigações

Neno Razuk foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, na Operação Successione, deflagrada em dezembro de 2023.

Ele também responde a processos por corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional, na quarta fase da operação, iniciada em novembro de 2025. Além de Neno, seu pai Roberto Razuk cumpre prisão domiciliar, e os irmãos Rafael e Jorge seguem presos.

A família é apontada como sucessora de um grandioso esquema de jogo do bicho, comandado anteriormente por Fahd Jamil, que dominou a exploração da jogatina em Mato Grosso do Sul até os anos 1990.

Leia a nota da defesa de Neno Razuk na íntegra:

Diante das informações  publicadas, algumas de maneira equivocada, a defesa de Roberto Razuk Filho (Neno Razuk) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca das informações recentemente divulgadas sobre o cumprimento do mandado de prisão expedido em seu desfavor:

1. Roberto Razuk Filho ingressou na Bolívia em 1º de julho de 2026, em momento anterior à expedição do mandado de prisão, e somente tomou conhecimento da decretação de sua prisão por meio das notícias veiculadas pela imprensa.
2. A ausência de apresentação imediata decorreu da existência de recursos ainda pendentes de julgamento perante a Justiça Eleitoral, cujo eventual acolhimento poderia reverter a decisão que culminou na perda de seu mandato parlamentar, circunstância diretamente relacionada aos fundamentos da decretação da prisão.
3. Após o julgamento desfavorável dos recursos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, bem como o indeferimento da medida liminar no habeas corpus impetrado por sua defesa, Roberto Razuk Filho decidiu cumprir espontaneamente a ordem judicial, manifestando formalmente, nos autos, sua intenção de se apresentar às autoridades competentes.
4. A defesa requereu ao Juízo competente a definição das condições para a apresentação voluntária, pedido que foi devidamente deferido. Entretanto, antes mesmo de seu retorno ao Brasil, diversos veículos de comunicação passaram a noticiar sua iminente entrega às autoridades.

Antes de reingressar em território nacional, contudo, Roberto Razuk Filho foi abordado por autoridades estrangeiras, que procederam à sua entrega à Polícia Federal, impossibilitando que a apresentação voluntária ocorresse nos moldes previamente requeridos e autorizados pelo Poder Judiciário.

1. Com seu retorno ao Brasil, a defesa adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a inexistência dos requisitos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva, especialmente diante da ausência de contemporaneidade dos fundamentos utilizados para sua decretação, buscando o restabelecimento de sua liberdade, sem prejuízo da demonstração de sua inocência no curso do devido processo legal.

A defesa ressalta, por fim, que a intenção de apresentação voluntária foi previamente comunicada ao Poder Judiciário, formalizada nos autos e devidamente documentada, evidenciando a disposição do acusado em se submeter às determinações judiciais.

Campo Grande (MS), 3 de agosto de 2026. 

Ricardo Souza Pereira
Roberto Razuk Neto
Advogados de Defesa