Soja sobe quase 3% em um ano em MS e chega a R$ 119,90 por saca; milho segue estável

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(Foto: Aprosoja)

Levantamento da Aprosoja/MS mostra avanço impulsionado por exportações, câmbio e demanda interna; comercialização da safra de soja já alcança 73%

A recuperação das exportações, a demanda interna aquecida e o câmbio favoreceram a soja em Mato Grosso do Sul, que encerrou julho com valorização em relação ao mesmo período do ano passado. Já o milho seguiu um caminho diferente: apesar da estabilidade no mercado físico, as expectativas de uma oferta global maior limitaram os ganhos e pressionaram os preços futuros.

Levantamento divulgado nesta quinta-feira (6) pela Aprosoja/MS mostra que a saca da soja foi comercializada, em média, a R$ 119,90 em julho, alta de 2,75% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o preço girava em torno de R$ 116,70. O avanço representa um acréscimo de aproximadamente R$ 3,20 por saca em um ano.

Segundo a entidade, a valorização da oleaginosa foi impulsionada pela retomada das exportações após a entressafra, pelo desempenho das cotações internacionais durante a primeira quinzena de julho, além da influência positiva do dólar e da demanda doméstica.

No mercado futuro, os contratos para novembro registraram média de R$ 128,30 por saca, refletindo uma expectativa favorável para a chegada da nova safra.

O milho, por outro lado, apresentou comportamento mais estável. A saca fechou julho cotada, em média, a R$ 47,23, praticamente no mesmo valor observado há um ano. Já os contratos para entrega futura recuaram 6,71% em relação a julho de 2025.

De acordo com a Aprosoja/MS, a expectativa de uma oferta mundial mais elevada e a menor antecipação das compras contribuíram para pressionar as cotações futuras do cereal.

Mesmo com a queda das cotações internacionais da soja e do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) durante a segunda metade de julho, o impacto sobre os preços pagos aos produtores sul-mato-grossenses foi menor.

Conforme o analista econômico da Aprosoja/MS, Rafael Gimenes, fatores como o câmbio, a procura no mercado interno e as condições logísticas ajudaram a sustentar as cotações no Estado.

“Mesmo com a correção observada na Bolsa de Chicago no fim do mês, os preços em Mato Grosso do Sul permaneceram mais sustentados. Isso mostra que fatores como o câmbio, a demanda física e as condições logísticas exerceram papel importante na formação das cotações estaduais, reduzindo o impacto das oscilações do mercado internacional sobre o produtor”, afirmou.

Comercialização avança

Os boletins também apontam avanço na venda das duas culturas.

Na soja, 73% da produção estimada já havia sido comercializada até o fim de julho, crescimento de nove pontos percentuais em relação ao mês anterior. Embora o percentual ainda esteja ligeiramente abaixo do registrado na safra passada, o ritmo foi impulsionado pela recuperação dos preços ao longo do mês.

No caso do milho, a comercialização alcançou 38,5% da produção prevista, avanço de oito pontos percentuais frente a junho. Ainda assim, o índice permanece abaixo do observado no ciclo anterior, refletindo a postura mais cautelosa dos produtores diante das perspectivas para o mercado.

Para Rafael Gimenes, os cenários das duas culturas seguem distintos para os próximos meses. Enquanto a soja continua sustentada pela demanda internacional e pela retomada das exportações, o milho enfrenta limitações impostas pelas expectativas de ampla oferta global, o que leva parte dos produtores a adotar uma estratégia mais conservadora na venda da produção.