Cheiro do pai pode despertar memórias da infância; entenda o que diz a neurociência

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Dia dos Pais (Foto: Freepik)

Olfato tem ligação direta com áreas do cérebro relacionadas às emoções e lembranças afetivas

Há lembranças que não precisam de fotografia para voltar à mente. Um perfume, o cheiro de uma roupa ou até mesmo um aroma específico no ambiente pode ser suficiente para fazer alguém se lembrar do pai e de momentos vividos muitos anos antes. Para a neurociência, essa reação está relacionada à forma como o cérebro processa os cheiros e os associa às emoções e às memórias.

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), a relação entre cheiro e memória ajuda a explicar por que o aroma associado a uma figura paterna pode permanecer tão marcante ao longo da vida.

Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, o olfato tem uma característica particular entre os sentidos humanos: sua conexão com regiões cerebrais envolvidas no processamento das emoções e das lembranças afetivas.

Quando uma pessoa sente determinado aroma, as informações são encaminhadas para áreas relacionadas ao chamado sistema límbico. Entre elas estão a amígdala, associada às emoções, e o hipocampo, que desempenha papel importante na formação e recuperação das memórias.

Por que um cheiro pode trazer uma lembrança tão forte?

A associação não acontece apenas com o aroma isoladamente. Ao reconhecer um cheiro familiar, o cérebro pode recuperar também elementos ligados à experiência original.

É por isso que o cheiro associado ao pai pode remeter a diferentes situações: momentos de convivência, brincadeiras, conversas, acolhimento ou até mesmo à saudade de alguém que já morreu.

O cérebro registra, junto com a experiência sensorial, as emoções presentes naquele momento. Assim, um aroma semelhante encontrado anos depois pode funcionar como um gatilho para recuperar parte daquela lembrança.

Memória olfativa começa na infância

A infância é uma fase importante para a formação das memórias afetivas. Nesse período, o cérebro apresenta grande capacidade de estabelecer novas conexões e registrar experiências relacionadas às pessoas que fazem parte dos primeiros vínculos.

Vozes, sons, imagens e cheiros passam a fazer parte das referências que ajudam a criança a reconhecer pessoas e ambientes associados à proteção, ao cuidado e à convivência.

O cheiro de um pai pode, dessa maneira, tornar-se uma espécie de referência emocional. Mesmo que, na vida adulta, seja difícil identificar exatamente qual era o perfume ou aroma, o cérebro pode reconhecer uma fragrância semelhante e recuperar a sensação associada àquele período.

Uma lembrança que ajuda a formar quem somos

As memórias afetivas não estão ligadas apenas à nostalgia. Elas também participam da construção da identidade e ajudam a formar a maneira como cada pessoa compreende a própria trajetória.

Para Petry, os aromas que marcaram os primeiros anos de vida podem permanecer como referências de vínculos importantes. “As nossas memórias afetivas ajudam a contar quem somos. Os aromas que marcaram a infância permanecem registrados como referências de vínculo, proteção e amor. Reencontrá-los é uma maneira de reencontrar partes importantes da nossa própria história”, afirma.

Assim, reencontrar o cheiro do pai pode significar mais do que reconhecer uma fragrância conhecida. É uma experiência capaz de conectar o presente a momentos importantes da infância e às relações que contribuíram para a formação da história pessoal de cada indivíduo.