Sinais telefônicos ajudaram investigadores a acompanhar deslocamento dos suspeitos de Campo Grande até Pedro Juan Caballero, onde um casal brasileiro foi preso
O caminho percorrido pelos suspeitos desde Campo Grande até a fronteira com o Paraguai começou a ser reconstruído a partir dos sinais emitidos por celulares. O rastreamento feito pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul permitiu identificar o deslocamento dos envolvidos, apontar a passagem por Ponta Porã e, posteriormente, localizar o imóvel em Pedro Juan Caballero onde estava a bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias.
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A recém-nascida havia desaparecido em Campo Grande na última quinta-feira (6) e foi encontrada na madrugada deste domingo (9), durante uma operação conjunta das forças de segurança dos dois países.
A partir das informações obtidas pelos investigadores brasileiros, o caso passou a contar com a atuação das autoridades paraguaias por meio do Comando Bipartido e dos mecanismos de cooperação policial internacional.
Sinais ajudaram a apontar localização
Segundo o relatório da investigação, os policiais acompanharam os sinais telefônicos dos suspeitos durante o deslocamento até a região de fronteira.
Depois de identificar que os envolvidos haviam deixado Campo Grande e seguido em direção a Ponta Porã, os investigadores constataram a passagem para o território paraguaio.
As informações foram compartilhadas com as autoridades do país vizinho. Os investigadores brasileiros também solicitaram apoio do Ministério Público do Paraguai para ampliar a análise dos dados telemáticos.
Com o cruzamento das informações, foi possível chegar ao endereço de uma residência no bairro Virgen de Caacupé, em Pedro Juan Caballero.
O trabalho também contou com suporte técnico do Departamento Antissequestro de Pessoas para obtenção de informações complementares.
Mandado foi cumprido durante a madrugada
Com o endereço identificado, equipes da Divisão Regional da Direção-Geral de Investigação Criminal e da Fiscalía paraguaia cumpriram um mandado de busca por volta de 1h15 deste domingo.
No imóvel, os agentes encontraram Ayla e prenderam em flagrante um casal, ambos brasileiros.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos e um veículo Lifan, que, segundo a investigação, teria sido utilizado no deslocamento da criança em direção à fronteira.
Os aparelhos celulares deverão passar por perícia. A análise poderá ajudar os investigadores a identificar chamadas, mensagens, deslocamentos e outros dados relacionados ao caso.
Bebê foi levada para hospital
Depois de ser resgatada, Ayla foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, a criança estava em condições que permitiram o encaminhamento para atendimento e permaneceu sob observação para realização dos exames necessários.
O relatório da investigação informa ainda que a recém-nascida não possuía, no momento do resgate, registro civil, certidão de nascimento ou CPF.
O casal preso foi colocado à disposição do Ministério Público paraguaio. As autoridades dos dois países avaliam os procedimentos legais para que os envolvidos possam responder à investigação no Brasil.
Relembre o desaparecimento
Ayla desapareceu na quinta-feira (6), quando tinha apenas 28 dias de vida. A ocorrência foi registrada pela família na manhã seguinte.
A mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, contou aos investigadores que havia conhecido uma mulher pela internet durante a gestação.
Segundo a versão apresentada pela família, a mulher teria inicialmente oferecido roupas para a bebê e mencionado a possibilidade de realizar um ensaio fotográfico. Posteriormente, teria feito uma proposta para que a adolescente cuidasse de outra criança por R$ 100.
A jovem foi até o endereço acompanhada da irmã, que tinha 12 ou 13 anos segundo diferentes relatos apresentados durante a apuração, e levou Ayla.
De acordo com a versão da adolescente, as duas foram rendidas no imóvel e mantidas contra a vontade. Depois, foram deixadas em uma área de mata nas proximidades do bairro Universitário, enquanto a bebê permaneceu desaparecida.
A Polícia Civil ainda não divulgou uma reconstrução definitiva de toda a dinâmica do crime.
Outro suspeito foi preso em Campo Grande
Antes do resgate no Paraguai, um homem havia sido preso em Campo Grande no sábado (8) durante uma ação conjunta da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e da Garras.
Segundo a investigação, ele seria proprietário de uma casa no bairro Universitário que teria sido utilizada para esconder a criança.
O homem afirmou que havia emprestado o imóvel a um conhecido e que não sabia para qual finalidade a residência seria utilizada. Familiares dele também negaram participação no desaparecimento.
A prisão e os depoimentos ainda fazem parte da investigação, que busca esclarecer a participação de cada suspeito e identificar outras pessoas eventualmente envolvidas.
Alerta Amber foi acionado
As buscas por Ayla também mobilizaram o Alerta Amber Brasil, utilizado para ampliar a divulgação de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes considerados de alto risco.
A localização da bebê ocorreu após a integração das informações obtidas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com as forças de segurança paraguaias.
Para os investigadores, o compartilhamento de dados e o rastreamento dos sinais telefônicos foram fundamentais para acompanhar a rota dos suspeitos e avançar até o endereço onde a criança foi encontrada.
A investigação continua para esclarecer como Ayla foi retirada de Campo Grande, quem participou do deslocamento até o Paraguai e qual foi a atuação de cada um dos presos.





















