Mulher sequestrou bebê Ayla para manter casamento e pretendia criar a vítima como sua filha

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Mulher foi presa suspeita de sequestro em Campo Grande. — Foto: Polícia do Paraguai/Reprodução

A DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) apresentou nessa sexta-feira (14), em coletiva de imprensa, todos os esclarecimentos da investigação sobre o sequestro de uma bebê chamada Ayla, hoje com pouco mais de 30 dias de vida, ocorrido em Campo Grande no dia 06 de agosto, resgatada no dia 09, e entregue para a mãe, de 17 anos, na quinta (13).

Conforme a delegada responsável, Anne Karine Trevizan, o sequestro foi cuidadosamente planejado com pelo menos um mês de antecedência pela autora, identificada como Suzilaine, de 39 anos. Ela fingiu estar grávida e depois teria perdido o bebê, com o único objetivo de tomar a criança para si e salvar seu casamento.

O marido dela, Alex, também foi preso e enquadrado como cúmplice. Além do casal, uma terceira pessoa, proprietária da casa onde a mãe da bebê e a sua irmã de 12 anos ficaram como reféns. Para a investigação, ele tinha conhecimento dos fatos e colaborou.

🧩 Como a sequestradora se aproximou

A delegada contou que Suzilaine procurou gestantes que dariam à luz na mesma época em que alegava estar grávida, buscando especificamente uma menina, pois já é mãe de três meninos, hoje todos maiores de idade.

Em seguida, conquistou a confiança da mãe adolescente por meio de grupos de doações de bairro, oferecendo roupas, fraldas, carrinho de bebê e até ensaios fotográficos gratuitos. Ela também visitava a família regularmente e se mostrou pessoa solícita e confiável.

No dia do crime, convenceu a mãe a levar a bebê e a irmã de 12 anos até uma casa, prometendo pagar R$ 100 para que cuidasse de uma suposta filha dela, de 6 meses, que na verdade era a neta da autora.

🔁 Sequestro, fuga e o resgate

Mulher sequestrou bebê Ayla para manter casamento e pretendia criar a vítima como sua filha
Ayla Emanuelly (Foto: Divulgação)

No imóvel, um homem a serviço de Suzilaine usou pano com substância para desmaiar a adolescente, que foi amarrada e trancada no banheiro. A irmã dela foi trancada no quarto. As duas foram abandonadas em uma área de mata na madrugada, já sem a bebê Ayla.

Em seguida, Suzilaine trocou a roupa e o bebê-conforto da criança para dificultar a identificação e fugiu com ela para Pedro Juan Caballero (PY), na fronteira seca com Ponta Porã, onde permaneceu com o marido até o dia 09.

A bebê foi resgatada por equipes policiais daquele país, avaliada em um hospital local, repatriada e devolvida à família em Campo Grande no dia 13, quando todos os fatos já estavam concluídos.

A operação mobilizou forças de segurança dos dois países por meio do Comando Bipartite, que reúne policiais brasileiros e paraguaios. Agentes da unidade antissequestro do Paraguai também participaram da ação.

O caso marcou o primeiro acionamento do Amber Alert Brasil em Mato Grosso do Sul. O mecanismo amplia a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos em situação de risco.

⚖️ Motivação revelada

Mulher sequestrou bebê Ayla para manter casamento e pretendia criar a vítima como sua filha
Delegada Anne Karine (Foto: Reprodução)

Ainda segundo a delegada, Suzilaine nunca esteve grávida — inventou a gestação e depois o aborto para manter o marido, pois ele queria uma filha com ela. Seus três filhos biológicos foram criados pela avó, pois ela passou boa parte da vida presa.

“Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha. Então, ela buscou, arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir”, explicou.

A história de “dívida com facção” que ela contou às vítimas foi inventada para despistar a polícia. Não há indícios de venda de crianças ou organização criminosa — trata-se de crime isolado e pessoal.

“O sequestro de Ayla não foi uma ação improvisada, mas o resultado de um plano feito antes mesmo do parto. “Suzilaine pretendia criar Ayla como se fosse sua filha”, afirmou a delegada.

Sobre o marido dela, a polícia disse que usava documento falso e tinha mandado de prisão por homicídio. Ele afirmou no depoimento que não saber do sequestro.

  • O terceiro envolvido no crime é o dono do imóvel usado como cativeiro. A investigação disse que ele recebeu R$ 1.000 pelo silêncio. O sujeito também nega envolvimento, mas foi autuado em flagrante.

⚠️ Alerta à população

Ainda na coletiva de imprensa, a delegada orientou cautela com pessoas que se aproximam oferecendo doações ou benefícios por redes sociais ou grupos de bairro. “Analisar bem quem se aproxima e por quê”, disse Anne Karine.

Agora, com a devolução da vítima para a mãe e a prisão dos envolvidos, a investigação foi oficialmente encerrada e o processo será encaminhado ao Judiciário para definição da responsabilidade de cada acusado.