Mostra UniCine leva curtas de alunos de Audiovisual da UFMS a Nova Alvorada do Sul e transforma exibições em aulas sobre arte, história, cidadania e cultura
A tela do cinema vai ganhar outro endereço em Mato Grosso do Sul. Em vez das salas tradicionais, curtas-metragens produzidos por jovens cineastas do estado serão exibidos dentro de uma escola pública, acompanhados de debates com estudantes e realizadores. Nesta quarta (19) e quinta-feira (20), a Escola Estadual Antônio Coelho, em Nova Alvorada do Sul, recebe a programação da 3ª Mostra Audiovisual de Cinema Universitário, a Mostra UniCine.
A iniciativa pretende aproximar os alunos da produção audiovisual feita no próprio estado e transformar o contato com os filmes em uma experiência de aprendizado, reflexão e formação cultural. Ao longo do semestre, a mostra também será levada a outras unidades escolares.
Realizada pela West End Filmes, a UniCine reúne curtas-metragens produzidos por estudantes do curso de graduação em Audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A programação foi dividida de acordo com as diferentes etapas de ensino e relaciona os filmes a disciplinas como Ciências, Arte, História, Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e Filosofia.
Segundo Suzana Nellis, diretora de Arte e Curadoria da mostra, a seleção busca revelar a diversidade da produção audiovisual universitária sul-mato-grossense. “Escolhemos produções do curso de graduação de Audiovisual da UFMS que representam o que os alunos do curso fazem de melhor, curtas-metragens criativos, com significado artístico e cultural.”
Filmes viram ponto de partida para debates
A proposta da UniCine vai além da exibição dos filmes. Depois das sessões, os estudantes participam de rodas de conversa com integrantes da equipe e realizadores das obras.
Para o Ensino Fundamental, a curadoria priorizou narrativas visuais e lúdicas, incluindo animações e histórias relacionadas ao cotidiano. Já para o Ensino Médio, foram escolhidos filmes com temas mais densos, capazes de provocar discussões sobre escolhas pessoais, diversidade e questões sociopolíticas.
“A mostra desconstrói a ideia de um espectador passivo ao transformar as exibições em uma aula pública e participativa”, afirma Suzana.
A intenção é estimular os alunos a fazer perguntas, interpretar as obras e discutir os assuntos apresentados na tela.
Cinema feito em Mato Grosso do Sul
Um dos principais objetivos da iniciativa é mostrar aos estudantes que o cinema não precisa estar distante da realidade deles. Os filmes selecionados foram produzidos por jovens sul-mato-grossenses e apresentam diferentes perspectivas sobre território, identidade, memória, cidadania e cultura.
Para Luís Fernando Pereira da Silva, realizador da mostra e representante da West End Filmes, essa proximidade pode despertar nos estudantes a percepção de que eles também podem produzir cinema. “Uma obra carrega, inerentemente, aspectos territoriais. Então exibir filmes do estado, realizados por pessoas próximas de sua idade, traz o diferencial da Mostra. Demonstra a possibilidade deles mesmos fazerem filmes e se especializarem nisso.”
A curadoria também procura ampliar a representação de temas ligados à realidade do estado, incluindo culturas originárias e memória afetiva. “Queremos que os estudantes das escolas públicas se vejam na tela”, explica Suzana.
Ex-alunos podem voltar à escola como cineastas
Outro aspecto destacado pela organização é a possibilidade de aproximar universidade e escola pública.
Em alguns casos, os próprios realizadores das produções já passaram por escolas semelhantes às que agora recebem a mostra. Para a organização, esse encontro ajuda a mostrar aos estudantes que o ensino superior e a produção artística podem estar ao alcance deles. “O estudante da escola pública que frequentava esse mesmo ambiente hoje volta como autor. Isso quebra barreiras de distanciamento”, afirma Suzana.
A experiência também busca mostrar que a produção cultural pode ser uma possibilidade profissional, especialmente para jovens que ainda não tiveram contato próximo com o setor audiovisual.
Incentivo público ajuda filmes a chegar ao público
A Mostra UniCine é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, política pública criada para apoiar o setor cultural.
Para os realizadores, o incentivo não deve se limitar à produção das obras. Também é necessário garantir que os filmes encontrem público e circulem por diferentes espaços. “Não basta produzir filmes: é preciso criar condições para que essas obras circulem, encontrem público e sejam reconhecidas para além da própria bolha artística”, afirma Luís Fernando.
Segundo ele, levar o audiovisual às escolas contribui para formar novos espectadores e fortalecer a cadeia cultural do estado.
Programação em Nova Alvorada do Sul
Nesta quarta (19) e quinta-feira (20), a Escola Estadual Antônio Coelho terá sessões destinadas aos alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
Para os anos finais do Ensino Fundamental, a sessão terá 32 minutos e 46 segundos e contará com os filmes:
- “A Agente”;
- “Hurluberlu”;
- “História das Máscaras”;
- “Estação”;
- “Glenda”;
- “Sesta do Meio-Dia”;
- “O Pálio da Minha Mãe”;
- “Carlos”.
As produções dialogam com conteúdos de Ciências, Arte, História e Língua Portuguesa.
Para o Ensino Médio, a sessão terá 41 minutos e 57 segundos, com:
- “A Beira do Abismo”;
- “Fausto”;
- “Não Faltam Parafusos”;
- “Mergulho Ka’apor”;
- “O Discurso”.
Nesse bloco, os filmes estabelecem relações com Geografia, Língua Portuguesa, Sociologia, História e Filosofia.
Após as exibições, os alunos participam das rodas de conversa com a equipe da mostra e realizadores. A proposta é fazer do cinema uma ferramenta de educação, ampliar o repertório cultural dos estudantes e mostrar que histórias produzidas em Mato Grosso do Sul também podem ocupar as telas e provocar discussões dentro das escolas.





















