Artesanato Kadiwéu ganha marca própria e será lançado no Festival de Inverno de Bonito

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(Foto: Divulgação)

Godidiko reúne cerâmicas, grafismos e produtos que valorizam a cultura e a autoria de artistas indígenas

Entre grafismos, cerâmicas e saberes transmitidos entre gerações, o artesanato do povo Kadiwéu ganha uma nova identidade para chegar a públicos e mercados além do território indígena. A marca Godidiko será lançada no dia 28 de agosto, às 19h, durante o Festival de Inverno de Bonito 2026, em Mato Grosso do Sul.

A apresentação será realizada no estande de Economia Criativa do festival, onde o público poderá conhecer a nova marca e uma seleção de produtos produzidos no Território Indígena Kadiwéu, como peças de cerâmica, ecobags e camisetas.

A Godidiko foi desenvolvida a partir de um processo de qualificação produtiva, design estratégico e preparação para acesso a novos mercados. A iniciativa é conduzida pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas junto ao povo Kadiwéu e integra as ações do Programa Corredor Azul.

O trabalho acompanhou as artistas indígenas no aperfeiçoamento da produção, na apresentação das peças e na preparação para novos espaços de comercialização. A proposta é ampliar a visibilidade do artesanato, fortalecer a autoria das artistas e valorizar os conhecimentos tradicionais associados à produção.

A marca

O nome Godidiko representa a identidade e a relação do povo Kadiwéu com seu território, sua história e seus conhecimentos tradicionais. A marca acompanha diferentes produtos produzidos nas aldeias e busca destacar a autoria de quem transforma a terra, os grafismos e a memória indígena em peças decorativas e utilitárias.

Além de identificar os produtos, a iniciativa pretende criar novas possibilidades de circulação e comercialização para o artesanato produzido no território.

Para Rafaela Nicola, diretora executiva da Wetlands International Brasil e diretora de estratégia, conhecimento e desenvolvimento institucional da Mupan, a criação da marca representa uma nova etapa na valorização da produção Kadiwéu.

“A criação da Godidiko desenha uma nova trajetória de valorização do artesanato Kadiwéu. Com a marca, ampliamos as possibilidades de circulação e comercialização dos produtos, mantendo como base a cultura, a autoria das artistas e a relação com seu território e sua história”, afirmou.

Segundo Áurea Garcia, diretora-geral da Mupan e coordenadora de políticas da Wetlands International Brasil, a iniciativa é resultado de um trabalho desenvolvido com o povo Kadiwéu há mais de uma década.

“O nascimento da Godidiko é resultado de uma história que construímos junto ao povo Kadiwéu desde 2015. Ao longo desses anos, desenvolvemos diferentes ações para fortalecer o artesanato, os modos de vida, as lideranças e a geração de renda, sempre a partir da troca de conhecimentos e do protagonismo do próprio território”, disse.

Acesso a mercados

O lançamento da Godidiko marca o início de uma nova fase do processo de qualificação e não representa o encerramento das ações desenvolvidas no Território Indígena Kadiwéu.

A partir da criação da marca, estão previstas ações voltadas à melhoria contínua da produção, curadoria das peças, sustentabilidade dos processos e ampliação do acesso a mercados.

Desde 2015, a Wetlands International Brasil e a Mupan desenvolvem ações junto ao povo Kadiwéu nas áreas de gestão territorial, resiliência climática, fortalecimento dos modos de vida e economia indígena.

O Território Indígena Kadiwéu está localizado em Mato Grosso do Sul e é considerado a maior Terra Indígena fora da Amazônia Legal.

Em 2026, o processo de qualificação produtiva envolveu cerca de 100 mulheres indígenas de quatro aldeias. As atividades incluíram ciclos de capacitação em cerâmica, pintura, design, produção e estratégias de acesso ao mercado.

Lançamento em Bonito

A Godidiko será apresentada oficialmente ao público no dia 28 de agosto, às 19h, durante o Festival de Inverno de Bonito 2026.

O estande de Economia Criativa receberá a apresentação da marca e uma curadoria inicial de produtos produzidos no Território Indígena Kadiwéu. Entre os itens estarão cerâmicas, ecobags e camisetas.

A participação no festival busca aproximar o artesanato Kadiwéu de novos públicos e ampliar as possibilidades de comercialização, sem deixar de lado a identidade cultural, os conhecimentos tradicionais e a autoria das artistas indígenas.