Cinco escolas da Capital recebem murais criados a partir das ideias dos próprios alunos

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(Foto: PMCG)

Projeto usa arte para abordar temas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e aproximar estudantes da produção cultural

A arte vai ocupar os muros de cinco escolas municipais de Campo Grande como resultado de um processo que começa dentro das salas de aula e passa pelas experiências dos próprios estudantes. O projeto “Ação Educativa – ODS nos Muros” reúne artistas locais e alunos em uma proposta que transforma os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em pinturas espalhadas por diferentes regiões da Capital.

A última etapa do processo criativo será realizada nesta quinta-feira (27), na Escola Municipal Indígena Sulivan Silvestre Oliveira, na Aldeia Urbana Marçal de Souza. Das 13h às 17h, os estudantes participam de uma oficina conduzida pela atriz e escritora Lígia Prieto, que utiliza a metodologia “Escuta da Criação” para estimular a imaginação e transformar vivências das crianças em elementos para os murais.

A proposta é fazer com que os alunos deixem de ser apenas espectadores das obras e passem a participar da construção dos painéis. Durante a oficina, eles são convidados a compartilhar experiências, desejos e percepções, que depois são transformados em histórias, desenhos e pinturas.

As produções são feitas com pigmentos naturais extraídos de materiais como urucum, açafrão, café e carvão. O material produzido pelas crianças serve de inspiração para as artistas responsáveis pelos murais. “A gente trabalha com as experiências, os desejos e os olhares dos alunos, transformando isso em histórias e criações. A partir daí, elas partem para pinturas com tintas naturais, feitas a partir de materiais da terra, como urucum, açafrão, café e carvão. E as produções das crianças chegam até as artistas como inspiração para os murais”, explica Lígia.

A iniciativa foi idealizada pela Fuá Produções e adaptada para atender estudantes da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande. Segundo a coordenação, a nova proposta amplia a participação das crianças em relação à primeira edição do projeto.“No primeiro projeto, ‘Agenda 2030 – ODS nos Muros’, o assunto era trabalhado de uma maneira mais direta, com a criação de murais e o bate-papo entre alunos do Ensino Médio e as artistas em cada escola. Agora, com as crianças, entendemos que era necessário transformar essa abordagem em uma oficina e, a partir daí, trazer também aquilo que elas vivem para dentro do processo”, explica a coordenadora Julia Basso.

Cinco escolas da Capital recebem murais criados a partir das ideias dos próprios alunos

Segundo ela, a participação dos estudantes também ajuda a criar uma relação de pertencimento com o resultado final. As pinceladas, histórias e ideias apresentadas durante as oficinas passam a fazer parte da identidade dos murais.

Cinco regiões recebem os murais

Cinco escolas da Capital recebem murais criados a partir das ideias dos próprios alunos

O projeto percorre cinco regiões urbanas de Campo Grande. As pinturas são assinadas pelas artistas Kami Macena, Lais Rocha, Thalya Veron, Ariadne Dino e Marilena Grolli.

Os painéis abordam diferentes temas relacionados aos ODS, entre eles Vida Terrestre, Saúde e Bem-Estar, Trabalho Decente, Igualdade de Gênero, Educação de Qualidade e Vida na Água.

Na Escola Municipal Indígena Sulivan Silvestre Oliveira, na Aldeia Urbana Marçal de Souza, a artista Kami Macena, da etnia Terena, trabalha a relação com a natureza e o território.

Como a oficina de criação ocorre na própria escola nesta quinta-feira, o mural terá um processo diferente dos demais. A artista iniciou a pintura antes da atividade com os alunos e deixará espaço para incorporar elementos produzidos pelas crianças.

“Como a oficina de literatura será realizada na escola no dia 27, o meu trabalho acontecerá em um fluxo diferente. Inicio a pintura antes das produções das crianças e o mural permanece aberto ao encontro com aquilo que as crianças vão produzir e trazer para o mural. Estou ansiosa”, relata Kami.

Arte como reconhecimento

Além da transformação dos espaços físicos, a iniciativa busca aproximar os estudantes da produção artística e fortalecer a identificação deles com as escolas onde estudam.

A muralista Thalya Veron vivenciou esse efeito durante o desenvolvimento de uma das obras. Inspirada pelas histórias e criações apresentadas pelos estudantes durante as oficinas, ela retratou a superação do preconceito.

“Contei a elas que eu me inspirei nas histórias e criações da oficina da Lígia. Foi quando elas começaram a chorar, me abraçaram e disseram que eram elas. Isso mostra que a arte ocupa esse lugar de reconhecimento, atravessa pessoas e cria conexões”, conta a artista.

O projeto é financiado pelo Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac) e da Prefeitura de Campo Grande. A mobilização pedagógica tem apoio da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Serviço

  • O quê: Oficina de criação do projeto “Ação Educativa – ODS nos Muros”
  • Quando: quinta-feira, 27 de agosto
  • Horário: das 13h às 17h
  • Onde: Escola Municipal Indígena Sulivan Silvestre Oliveira
  • Endereço: Rua Terena, 88, Aldeia Urbana Marçal de Souza, Campo Grande.