Com quase 1 milhão de habitantes, cidade registra geração de empregos, atrai investimentos e enfrenta desafios para transformar crescimento em qualidade de vida
Campo Grande completa 127 anos nesta quarta-feira (26) em um momento de transformação. A Capital de Mato Grosso do Sul se aproxima de 1 milhão de habitantes, mantém a economia aquecida, registra geração de empregos e atrai novos investimentos. Ao mesmo tempo, enfrenta o desafio de fazer com que esse crescimento seja acompanhado por melhorias na infraestrutura e nos serviços oferecidos à população.
A estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que Campo Grande chegou a 962.883 habitantes em 2025. O número coloca a cidade entre as maiores capitais do país e reforça a dimensão que o município alcançou desde sua criação, no fim do século XIX.
A cidade que nasceu como um pequeno núcleo urbano se transformou no principal centro econômico, político e de serviços de Mato Grosso do Sul.
O aniversário, portanto, é uma oportunidade para comemorar as conquistas, mas também para discutir os próximos passos.
Um dos sinais de que a economia da Capital passa por um momento positivo está no mercado de trabalho. No primeiro semestre de 2026, Campo Grande registrou saldo de 3.541 empregos formais, segundo dados do mercado de trabalho. Foram 77.099 admissões e 73.558 desligamentos no período.
O setor de serviços foi responsável pelo maior saldo de vagas, seguido pela construção civil, indústria e agropecuária.
Os números mostram uma economia diversificada, que não depende exclusivamente do comércio ou do setor público. Serviços, indústria, construção, turismo, tecnologia, logística e atividades ligadas ao agronegócio movimentam a economia e criam oportunidades.
A indústria também ocupa um espaço cada vez mais importante.
Campo Grande concentra aproximadamente 3 mil estabelecimentos industriais, cerca de 35% das indústrias de Mato Grosso do Sul. O setor emprega aproximadamente 45 mil trabalhadores formais e participa de uma cadeia que movimenta salários, investimentos e exportações.
É um cenário que mostra o potencial da Capital para ampliar sua participação na economia estadual e regional.
Mas há uma diferença importante entre crescimento econômico e desenvolvimento.
O aumento do número de empresas, empregos e investimentos precisa chegar ao cotidiano da população. Não basta uma cidade crescer em números se o morador continua enfrentando dificuldades para chegar ao trabalho, conseguir atendimento de saúde, acessar educação de qualidade ou circular pelas ruas com segurança.
Esse é um dos principais desafios para uma cidade que se aproxima de 1 milhão de habitantes.
Campo Grande precisa planejar o futuro levando em consideração o tamanho que já alcançou.
Mobilidade urbana, transporte coletivo, pavimentação, drenagem, saneamento, saúde, educação, segurança e habitação precisam acompanhar o crescimento da população.
E os próximos anos podem trazer mudanças importantes para a economia local.
A Rota Bioceânica, por exemplo, abre a possibilidade de Mato Grosso do Sul ampliar a integração comercial com Paraguai, Argentina e Chile. Campo Grande, pela posição geográfica e pela estrutura que concentra, pode se beneficiar desse novo corredor de comércio e logística.
Para isso, porém, será necessário preparar a cidade.
Uma Capital que pretende se consolidar como polo logístico precisa de infraestrutura, conectividade, qualificação profissional, segurança e condições adequadas para receber empresas e trabalhadores.
O mesmo vale para os investimentos privados.
Projetos anunciados ou analisados pelo município em 2026 representam centenas de milhões de reais e a possibilidade de criação de centenas de empregos diretos. São iniciativas em setores como tecnologia, logística, indústria, energia e alimentação.
A chegada desses empreendimentos é positiva, mas deve vir acompanhada de políticas de qualificação profissional.
Afinal, não basta criar empregos. É preciso garantir que os moradores estejam preparados para ocupar essas vagas.
O turismo também aparece como uma área com potencial de crescimento.
Campo Grande funciona como porta de entrada para importantes destinos de Mato Grosso do Sul e pode aproveitar ainda mais sua posição estratégica. A expansão do setor movimenta hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços, além de gerar empregos.
Esse conjunto de atividades ajuda a construir uma economia mais diversificada e menos dependente de um único segmento.
Mas Campo Grande também precisa preservar aquilo que não aparece nos indicadores econômicos.
A identidade da cidade está em seus parques, praças, árvores, bairros, cultura, gastronomia, música e história. O desenvolvimento urbano não pode significar a perda das características que ajudaram a construir a chamada Cidade Morena.
Crescer e preservar não são objetivos incompatíveis.
Ao contrário, uma cidade preparada para o futuro é aquela que consegue modernizar sua infraestrutura sem abandonar sua memória.
O aniversário de 127 anos também será marcado por uma programação que aproxima a população da comemoração. O desfile cívico-militar, a tradicional Corrida do Facho e outras atividades devem movimentar a Capital nesta quarta-feira.
Depois do desfile, um bolo de 32 metros preparado pelo Senac será distribuído gratuitamente à população. A produção, de aproximadamente 840 quilos, foi feita especialmente para marcar o aniversário da cidade.
É uma imagem simbólica.
Uma cidade é construída por seus moradores e, por isso, sua comemoração também deve ser compartilhada com eles.
Os números mostram uma Campo Grande que cresce. A geração de empregos e a chegada de investimentos mostram uma cidade com capacidade de avançar. A localização estratégica amplia as possibilidades para os próximos anos.
Mas o crescimento traz responsabilidades.
Uma Capital com quase 1 milhão de habitantes precisa pensar além do presente. Precisa antecipar problemas, planejar a expansão urbana e garantir que os benefícios do desenvolvimento econômico sejam distribuídos de maneira cada vez mais ampla.
Aos 127 anos, Campo Grande tem motivos para comemorar, mas também tem razões para olhar para frente.
O desafio não é apenas fazer a cidade crescer.
É fazer com que ela cresça de forma organizada, sustentável e com qualidade de vida.
Que os próximos anos sejam marcados por mais empregos, novos investimentos, inovação e oportunidades, mas também por avanços na saúde, educação, segurança, mobilidade e infraestrutura.
Campo Grande já chegou aos 127 anos. Agora precisa preparar, com planejamento e participação da sociedade, a cidade que deseja ser quando completar 130, 140 ou 150.
Porque celebrar a história é importante.
Mas construir o futuro é uma responsabilidade de todos.












