Produtor rural supera hábito de 20 anos com apoio do Saúde no Campo

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Aos 11 anos, Heliton Rodrigues dos Santos começou a fumar quase como uma brincadeira. Os colegas de trabalho faziam uma pausa para o cigarro e ele, que não fumava, continuava trabalhando. “Falei: ‘já que para descansar eu tenho que fumar, vou fumar também’. E comecei.”

O hábito atravessou os anos e, mesmo com os pedidos da esposa, parar não era fácil. Morador do Assentamento Nossa Senhora das Graças, em Ribas do Rio Pardo, Heliton encontrou um novo incentivo quando passou a receber os atendimentos do Saúde no Campo, do Senar/MS.

Essa é a história do Transformando Vidas de hoje. Confira: 

Durante as visitas à propriedade, a enfermeira Tathiana Teixeira percebeu que a saturação de Heliton estava baixa e começou a conversar com ele sobre a redução do cigarro. Primeiro vieram pequenos compromissos: entender quanto fumava e diminuir aos poucos. 

Como Heliton nem sempre sabia dizer quantos cigarros havia consumido, Tathiana encontrou uma forma simples de acompanhar. “Eu começava a contar as bitucas. Ai eu falava para ele: ‘você fumou quantos cigarros hoje?’. Ele falava que não sabia e eu dizia: ‘eu sei, 15. Tem 15 bitucas aqui’.” 

A contagem virou até brincadeira entre os dois, mas também ajudou Heliton a perceber o próprio consumo. Com o incentivo recebido durante os atendimentos, ele também buscou ajuda na rede pública de saúde e iniciou tratamento para o tabagismo, com medicação, adesivos e acompanhamento psicológico.

A decisão definitiva veio algum tempo depois. “Pensei comigo: eu procurei o programa para parar de fumar, estou tomando a medicação, estou passando pelo psicólogo e por que eu não paro? Aí falei: a partir de hoje, não vou fumar mais.”

E a mudança que começou com pequenos passos passou a aparecer também na saúde. Heliton conta que sua saturação, que antes chegava a 80, hoje fica entre 94 e 95. “Não tive mais problemas de respiração. Não tive mais problema nenhum. É muito bom.”

Hoje, as bitucas que Tathiana costumava contar desapareceram da propriedade e viraram motivo para uma nova brincadeira. “Agora eu quero que você cace a bituca. Vê se acha alguma. Agora não tem mais bituca para você contar”, comemora Heliton.

Para ele, o acompanhamento deixou uma relação que vai além das visitas. “Se a gente tem um problema, pode ligar, mandar uma mensagem, ela tira dúvida, ela ajuda. Eu vejo o Senar muito importante na parte rural do nosso município.”

E, depois de duas décadas convivendo com o cigarro, Heliton resume a nova fase de forma simples: “Hoje é só saúde. Hoje minha casa é um exemplo. Não tem bebida, não tem cigarro.”