Entre emagrecimento e preservação muscular, Educação Física amplia atuação na saúde metabólica

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Foto: Divulgação

A atuação do profissional de Educação Física diante do avanço dos tratamentos para obesidade e alterações metabólicas foi um dos temas centrais da XV Semana Acadêmica de Educação Física da UNIGRAN. O minicurso ‘Hipertrofia na Era dos Análogos de GLP-1 e GIP: O Papel da Educação Física na Prevenção Metabólica’ colocou em discussão a relação entre treinamento de força, preservação da massa muscular e acompanhamento de pessoas submetidas a tratamentos metabólicos.

A discussão acompanha um cenário de crescimento da obesidade no Brasil e no mundo. Dados do Ministério da Saúde apontam que 25,7% dos adultos residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal apresentavam obesidade em 2024, enquanto 62,6% tinham excesso de peso. O recém-lançado Atlas Mundial da Obesidade emitido pela Federação Mundial de Obesidade acendeu um alerta severo: 20,7% das crianças e adolescentes (de 5 a 19 anos) no mundo todo já convivem com o sobrepeso ou a obesidade.

Conduzido pelo professor Fernando Dias Boeira, o minicurso abordou os desafios que surgem para a Educação Física diante da rápida evolução científica e tecnológica na área da saúde. Graduado em Educação Física, especialista em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais e mestre em Ciências do Movimento pela UFMS, Boeira também é professor da Rede Municipal de Ensino de Ponta Porã.

Para o professor, a atuação profissional exige atualização permanente. “O profissional de Educação Física atual precisa estar acompanhando as atualizações científicas e tecnológicas, bem como ter uma boa percepção de comportamentos para uma melhor relação interpessoal com clientes e alunos”, afirmou.

Segundo Boeira, as transformações do mercado e da ciência exigem uma formação capaz de acompanhar mudanças rápidas. Ele defende que o conhecimento científico seja aplicado com leitura crítica, atualização constante e responsabilidade ética. “É um cenário de mudanças rápidas, de novos achados em curto espaço de tempo, que exige a busca de atualização constante em fontes confiáveis”, destacou.

A discussão também reforçou o caráter interdisciplinar da atuação em saúde. Na avaliação do palestrante, o profissional de Educação Física integra o cuidado de pessoas com doenças crônicas, especialmente por meio da prescrição adequada do treinamento de força e da promoção de hábitos que contribuam para uma longevidade metabólica sustentável.

Formação conectada às novas demandas

A programação integrou a XV Semana Acadêmica de Educação Física, realizada de 1º a 4 de setembro, em uma edição que também celebrou o Dia do Profissional de Educação Física e os 50 anos da UNIGRAN. Além do minicurso sobre análogos de GLP-1 e GIP, os acadêmicos participaram de atividades sobre biomecânica aplicada à musculação e hipertrofia, diagnóstico por imagem no esporte e metodologias inovadoras para a Educação Física escolar.

De acordo com o coordenador do curso de Educação Física, Robson de Oliveira, a diversidade de temas reflete a necessidade de preparar o futuro profissional para uma área em constante transformação. “Hoje o acadêmico recebe esse tipo de conteúdo e já sai para o mercado de trabalho com uma consciência diferente, valorizando sua profissão e capacitado para auxiliar na prevenção de algumas situações”, destacou ele.

A Semana Acadêmica também evidenciou a trajetória do curso na relação com a comunidade. Projetos como o ‘UNIGRAN Vai à Comunidade’ aproximam acadêmicos, universidade e população de Dourados e região por meio de ações esportivas, educativas e de promoção da saúde.

Para o coordenador, a iniciativa cria uma via de aproximação entre o Ensino Superior e a comunidade, ao mesmo tempo em que proporciona aos acadêmicos experiências práticas de atuação profissional.

“É um projeto voltado a essa aproximação da universidade com a comunidade. Através da atuação dos futuros profissionais dentro da comunidade, isso faz com que jovens, crianças e pais tenham essa proximidade com a faculdade e com o ensino superior”, explicou.

Segundo ele, o projeto ultrapassa os limites da Educação Física e envolve outros cursos da Instituição, ampliando o contato da comunidade com diferentes áreas profissionais. “Dentro desse projeto, nós também convidamos outros cursos a participar. Então eles têm contato com o pessoal da Odontologia, Enfermagem, Farmácia, Biomedicina e Nutrição. Os pais e os adultos da comunidade também têm essa experiência”, afirmou.

A iniciativa também pode despertar nos jovens o interesse pelo Ensino Superior. “O jovem, o irmão que muitas vezes vai levar o irmão mais novo para participar desse dia, tem contato com os acadêmicos e vê uma oportunidade também de cursar um Ensino Superior”, pontuou.

As ações já foram realizadas em diferentes localidades, incluindo Dourados, Itaporã e distritos da região. Para o coordenador, essa presença é especialmente relevante para comunidades que possuem menor contato cotidiano com o Centro Universitário. “Algumas escolas ficam longe da instituição de ensino e não conseguem vir com frequência. Outro projeto são os jogos, quando acontecem alguns jogos escolares e campeonatos, em que eles também têm essa oportunidade de vir conhecer a instituição”, acrescentou.

Tradição e compromisso com a comunidade

Na abertura, a Instituição ainda homenageou egressos da primeira turma de Educação Física, reconhecendo aqueles que participaram da construção inicial do curso. A iniciativa integrou as comemorações dos 50 anos da UNIGRAN e reforçou a conexão entre a trajetória do Centro Universitário, a formação profissional e a contribuição da Educação Física para a comunidade.

Ao reunir discussões sobre novas tecnologias e tratamentos metabólicos, atualização científica, práticas profissionais e ações comunitárias, a XV Semana Acadêmica evidencia a amplitude da formação em Educação Física e o papel do curso na preparação de profissionais atentos às transformações da área e às necessidades da sociedade.