A presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Alir Terra Lima, passou por audiência de custódia neste sábado (12), após ser uma das seis pessoas presas na Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul na sexta-feira (11).
Em entrevista à imprensa, a defesa, por meio do advogado Murilo Marques, classificou a prisão como incompreensível e anunciou que pedirá a revogação da medida já no início da semana. Na sua fala, detalhou que Alir Terra está confusa e indignada com as acusações.
A defesa também argumenta que, com mais de 70 anos de idade e problemas de saúde, a presidente deveria cumprir prisão domiciliar. Como se trata de prisão preventiva, apenas decisão judicial ou pedido de habeas corpus pode reverter a situação.
Conselho manifesta solidariedade, mas não diz quem comanda
Também nesse sábado, a Santa Casa emitiu uma nota oficial na qual o Conselho de Administração da Santa Casa manifesta solidariedade à presidente e aos outros dois diretores presos, enaltecendo a “dedicação, integridade e relevantes serviços” prestados por eles.
Sobre o funcionamento do maior hospital público de Mato Grosso do Sul, a instituição garante que seguem normalmente. “Continua operando regularmente, assegurando que o atendimento à população não sofrerá qualquer descontinuidade”, cita.
Até o momento, não foi confirmado se o vice-presidente da ABCG, Heitor Scheibeler, irá ocupar o cargo de presidente da Santa Casa, seja de forma interina ou em definitivo. A expectativa é que um posicionamento sobre isso ocorra somente na próxima semana.
O que a operação descobriu
A ação conjunta do Gecoc e do Gaeco cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia. Entre os presos está a diretora-presidente da instituição, outros integrantes da administração e empresários.
As investigações apontam duas frentes de desvio: um contrato de digitalização de prontuários no valor de R$ 5,4 milhões, do qual R$ 1,4 milhão já teria sido desviado no primeiro ano sem qualquer prestação de serviço.
E a outra de pagamentos de aproximadamente R$ 9,6 milhões feitos pela Operadora Santa Casa Saúde a empresas que compartilhavam o mesmo endereço — o qual, na realidade, estava desocupado. O prejuízo estimado só em 2025 chega a pelo menos R$ 3,5 milhões.
O ponto que chama atenção
Os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente escondidos dos órgãos de controle interno e externo. Ou seja, enquanto a instituição alegava falta de recursos, milhões eram movimentados por meio de empresas fantasmas e sem qualquer transparência.
A investigação coincide com o momento em que a instituição alegava dificuldades financeiras, sem conseguir comprar insumos para o trabalho médico, e até mesmo reduzindo os serviços à população.
O nome da operação, “Antidotum”, significa antídoto: a Justiça busca aplicar a medida necessária para neutralizar o dano causado ao dinheiro que deveria ser investido em saúde.





















