Dados do Ministério da Saúde apontam que, por ano, são registrados 400 mil óbitos no Brasil provocados por doenças cardiovasculares (DCV), o que representa 31% de todas as mortes.
Por trás desses números existe uma realidade muito maior e pouco comentada: para cada vida perdida, dezenas de pessoas sobrevivem e passam a conviver com as consequências — físicas, emocionais, sociais e econômicas — de um infarto.
Sobreviver a um infarto é apenas o início de uma nova etapa: muitos pacientes precisam lidar com o medo de voltar a viver normalmente. Nesse mês, é celebrado o Setembro Vermelho, de conscientização sobre a prevenção e o combate às doenças cardiovasculares.
O número que também assusta
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam que 14 milhões de brasileiros já convivem com alguma doença cardiovascular e o impacto não termina com a alta hospitalar.
“O problema não se mede apenas por quantos morrem. Existe um contingente muito maior de pessoas que sobrevivem e passam a carregar as marcas do evento em todos os aspectos da vida”, alerta o médico Délcio Gonçalves da Silva Junior, chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Universitário da UFMS.
Quando o cotidiano passa a causar medo
O infarto chega de forma súbita e muda tudo de uma hora para outra. Rotinas, trabalho, lazer, relações — tudo é interrompido. E com isso surge o medo: de subir escadas, de fazer esforço, de viajar, de dormir sozinho, de retomar a vida afetiva.
Atividades que antes eram comuns passam a ser vistas como ameaças. A ansiedade e a dúvida sobre “se voltarei a ser o mesmo” tornam-se parte do dia a dia.
Recuperar o corpo e devolver a confiança
O tratamento não se resume a medicamentos e procedimentos. Já na fase hospitalar, iniciam-se também o apoio psicológico e a reabilitação física, com um objetivo claro: devolver ao paciente a segurança de retomar sua vida.
Segundo o especialista, a base disso é uma relação de confiança entre médico e paciente: transparência, franqueza e empatia. “Quem recebe tratamento adequado e orientação clara tem grande segurança e baixos índices de recorrência. Volta à vida — e volta se cuidando melhor do que antes”, garante.
Prevenir é a melhor forma de não chegar lá
O Setembro Vermelho lembra: muitos infartos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis, controle da pressão, do colesterol, do peso e do estresse.
E quem já passou por um evento tem ainda mais motivo para mudar — porque a mudança de hábitos é, na verdade, a melhor proteção contra o medo de um novo infarto.





















