O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gaeco, deflagrou nesta segunda-feira (14), em Água Clara, a Operação Barattieri, nova fase das investigações que começaram com a Operação Malebolge, realizada em fevereiro de 2025.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. Servidoras e um empresário são acusados de montar um esquema paralelo para desviar recursos destinados à compra de alimentos para a merenda escolar.
O esquema: pagar por comida que nunca chegou
As provas que levaram à ação surgiram durante as buscas da primeira fase. Constatou-se que as servidoras públicas exigiam vantagens indevidas do empresário fornecedor e, em troca, inflavam os valores das ordens de compra.
Apenas parte dos alimentos era efetivamente entregue — o restante do dinheiro era desviado entre os envolvidos. Os contratos fraudulentos já identificados somam mais de R$ 10 milhões.
Alimentos vencidos e impróprios confirmam o desvio
Na primeira fase, a Operação Malebolge já havia encontrado alimentos vencidos e em condições impróprias para consumo na empresa fornecedora, em Campo Grande.
A Vigilância Sanitária interditou a câmara frigorífica e autuou a empresa. Ou seja: não só se pagava por mais comida do que chegava, como parte do que era entregue podia colocar em risco a saúde dos alunos.
O nome da operação e o que significa
Assim como “Malebolge” faz referência ao círculo do inferno onde são punidos os fraudadores, “Barattieri” é também uma referência à Divina Comédia de Dante: são aqueles que negociam o exercício de cargos públicos em troca de vantagens.
A operação continua em andamento, com investigações para identificar todos os envolvidos e o alcance total dos prejuízos.




















