
Corte de 0,25 ponto percentual, se confirmado, será o quinto consecutivo; decisão ocorre em meio a cenário de inflação mais moderada, endividamento das famílias e incertezas políticas.
A taxa básica de juros do Brasil pode chegar ao menor nível desde janeiro de 2025 nesta quarta-feira (16), quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerra a última reunião antes das eleições. A expectativa do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano.
Se a previsão for confirmada, será a quinta redução consecutiva da taxa. O novo patamar seria o menor desde janeiro de 2025, quando a Selic estava em 13,25% ao ano.
A decisão do Copom acontece em um cenário que combina desaceleração da inflação, atividade econômica moderada e mercado de trabalho ainda aquecido. Ao mesmo tempo, fatores políticos e o nível de endividamento das famílias estão entre os elementos que podem influenciar as expectativas para a economia.
Segundo o economista Hugo Garbe, o ambiente político também pode afetar as decisões econômicas e o comportamento dos investidores.
“A política tem uma grande influência na economia e exerce também uma instabilidade. A instabilidade política influencia negativamente a economia de um país”, afirmou.
Para o economista, a percepção de instabilidade pode provocar saída de recursos estrangeiros e levar investidores a adiar decisões de investimento no país.
Sete altas antes da sequência de cortes
Antes do atual ciclo de redução, a Selic passou por uma sequência de sete aumentos entre 2024 e fevereiro deste ano. A taxa chegou a 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
A trajetória de alta foi interrompida em março, quando o Copom iniciou uma série de cortes que levou a taxa ao atual patamar de 14% ao ano.
Na reunião anterior, o Banco Central apontou fatores externos e internos para justificar a redução. Entre as preocupações internacionais estavam as oscilações da política monetária das principais economias e os conflitos geopolíticos.
No cenário doméstico, o Copom destacou o fortalecimento do mercado de trabalho, a moderação da atividade econômica e a redução da inflação.
Inflação tem meta de 3%
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Pelo sistema de meta contínua, o objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é manter a inflação em 3% ao ano.
Existe uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem que o resultado fique fora da faixa estabelecida.
Quando os juros sobem, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros, o que reduz o consumo e pode desacelerar a atividade econômica. Quando a taxa cai, o crédito tende a ficar mais acessível, embora os efeitos sobre a economia ocorram de forma gradual.
Endividamento das famílias também pesa
Outro fator acompanhado pelo Banco Central é o nível de endividamento das famílias. O comprometimento da renda com dívidas pode limitar o consumo e influenciar o ritmo de crescimento da economia.
Ao mesmo tempo, indicadores recentes de inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) apresentaram resultados considerados positivos, compondo o cenário que será avaliado pelos integrantes do Copom.
A decisão desta reunião terá validade até o próximo encontro do comitê, quando os diretores voltarão a analisar o cenário econômico e as perspectivas para inflação e atividade.
A expectativa de redução, no entanto, ainda depende da decisão oficial do Copom.














