Os perfumes de marca importada que são verdadeiros campeões de venda no comércio informal e também nas pequenas lojas das periferias brasileiras motivou uma grande operação policial e de fiscalização nessa terça-feira (22).
Chamada de Operação Perfume de Mulher, a investida apura a organização criminosa responsável por introduzir esses perfumes de forma irregular e distribuir nacionalmente.
Ao todo, são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. As ordens foram autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, que ainda decretou a prisão da responsável pela coordenação das atividades.
Participaram da ofensiva 50 auditores-fiscais e analistas da Receita Federal, 50 integrantes do MPF (Ministério Público Federal) e 30 do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Ainda segundo as informações, é a primeira vez que as três instituições atuam de forma simultânea em Mato Grosso do Sul, demonstrando a articulação necessária para alcançar ramificações interestaduais e transnacionais.

Rota: da fronteira para todo o país
A investigação detalhou que a rede trazia os produtos, principalmente perfumes da linha árabe, de forma clandestina pelo Paraguai, entrando por Ponta Porã, fronteira seca com Pedro Jan Caballero (PY), onde estão os maiores centros comerciais de importados.
Os itens eram estocados em depósitos em Campo Grande e, em seguida, encaminhados para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco, de onde chegavam a diversos estados.
O grupo se apresentava publicamente como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, com revendas espalhadas pelo território nacional. Os produtos rapidamente se tornaram febre no comércio pela fragância e preço bem abaixo do real.

Como funcionava a venda e a ocultação
As mercadorias eram comercializadas por redes sociais, plataformas de comércio eletrônico e com apoio de influenciadores para ampliar o alcance. Para dar aparência de legalidade, o grupo usava notas fiscais falsas, declarações de conteúdo mentirosas e empresas de fachada.
O dinheiro era lavado por meio de interpostas pessoas, ocultação de patrimônio e, em transações com fornecedores no exterior, pelo uso de criptoativos. As análises financeiras registraram movimentação superior a R$ 300 milhões em contas vinculadas aos investigados.
Entre 2024 e 2026, foram mais de 20 apreensões relacionadas ao grupo — incluindo uma ação em outubro de 2025 que reteve cerca de R$ 10 milhões em perfumes importados de forma irregular. A Justiça autorizou a apreensão de bens e valores até o limite de R$ 100 milhões.





















