Passagem aérea fica 14,5% mais cara enquanto querosene sobe 31,8% em um ano

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Tarifa aérea atinge maior valor desde 2024 e chega a R$ 776,87 em agosto (Foto: Reprodução/98FM)

Tarifa média dos voos domésticos chegou a R$ 776,87 em agosto; combustível de aviação atingiu R$ 4,98 por litro

Viajar de avião pelo Brasil ficou mais caro em agosto. O preço médio pago pelos passageiros em voos domésticos chegou a R$ 776,87 por trecho, valor 14,5% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O levantamento considera a chamada tarifa aérea real média, que corresponde ao valor efetivamente pago pelo passageiro pelo transporte aéreo e é atualizado pela inflação medida pelo IPCA. O indicador considera os valores praticados no mercado doméstico.

Na comparação com julho, quando a tarifa média estava em R$ 701,27, o aumento foi de 10,8%. O resultado de agosto também representa o maior valor desde dezembro de 2024, quando a média chegou a R$ 813,80.

A tarifa considerada pela Anac não inclui a taxa de embarque nem cobranças por serviços adicionais, como despacho de bagagem e escolha de assento.

Menos passagens nas faixas mais baratas

Os dados da agência mostram que a alta do preço médio ocorreu em um cenário de redução da participação das passagens mais baratas.

Entre julho de 2024 e agosto de 2026, 47,2% dos assentos disponíveis foram comercializados por até R$ 500. Em agosto deste ano, porém, apenas 34,8% das passagens ficaram nessa faixa de preço.

Na prática, uma parcela menor dos assentos foi vendida por valores de até R$ 500, o que contribuiu para elevar a tarifa média registrada no mês.

Querosene de aviação também sobe

Outro fator acompanhado pela Anac foi o comportamento do preço do querosene de aviação (QAV), combustível utilizado pelas companhias aéreas e um dos componentes dos custos de operação.

Em agosto, o litro do QAV chegou a R$ 4,98. Segundo os dados da agência, o valor ficou 31,8% acima do registrado no mesmo mês de 2025. Na comparação com agosto de 2024, a alta foi de 10,4%.

O aumento do combustível ocorreu no mesmo período em que a tarifa aérea média avançou. O custo do QAV, entretanto, é apenas um dos fatores que influenciam a formação dos preços cobrados pelas companhias.

Valor por quilômetro também aumenta

A Anac também acompanha o chamado yield aéreo real, indicador que mostra quanto as empresas recebem, em média, por passageiro para cada quilômetro voado.

Entre julho de 2024 e agosto de 2026, o indicador apresentou média de R$ 0,5201 por quilômetro. Em agosto deste ano, chegou a R$ 0,5834.

O resultado representa uma alta de 12,2% em relação à média do período. Assim, além do aumento da tarifa média por trecho, os dados apontam crescimento do valor médio associado a cada quilômetro percorrido pelo passageiro.

Os indicadores de tarifas aéreas fazem parte do acompanhamento periódico realizado pela Anac sobre o mercado de transporte aéreo doméstico. A agência prevê a divulgação mensal dos dados tarifários ao longo de 2026.