Despautando o caos administrativo, Santa Casa prova importância com 1º enxerto de pele de doador em criança

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Foto: Divulgação

Os problemas administrativos que têm pautado a Santa Casa de Campo Grande ao longo dos últimos dias não podem tampar os feitos históricos que o maior hospital público de Mato Grosso do Sul realiza constantemente em suas salas de tratamento especializado e equipe médica altamente competente.

Um desses momentos de suma importância aconteceu na última sexta-feira (18), quando foi realizado, pela primeira vez neste estabelecimento hospitalar, um enxerto de pele alógena, ou seja, de tecido de um doador.

O procedimento, totalmente complexo e desafiador, envolveu uma equipe multidisciplinar composta por 15 profissionais. O paciente beneficiado foi uma criança de 11 anos, que está internada após sofrer queimaduras graves em mais de 60% do corpo.

Segundo explicou a assessoria da Santa Casa, como a área saudável do próprio paciente é insuficiente, foi necessário recorrer à pele de banco de tecidos no estado do Paraná para estabilizar o quadro.

O que é o enxerto alógeno

A cirurgiã plástica Renata Ferro detalhou que a pele doada funciona como um curativo biológico temporário: ela não se integra definitivamente ao corpo, mas cumpre funções vitais enquanto o paciente se recupera:

  • Reduz perda de sangue, líquidos e eletrólitos;
  • Diminui a dor intensa;
  • Baixa o risco de infecção;
  • Prepara o organismo para receber, em nova etapa, enxertos retirados da própria pele da criança nas regiões mais afetadas.

A cirurgia reuniu equipes de enfermagem, centro cirúrgico, setor de queimados, CTI pediátrico, anestesiologia e cirurgia plástica, além de estagiários e residentes. O procedimento durou cerca de duas horas.

Por que é um marco?

O tratamento padrão para queimaduras extensas é o autoenxerto — retirar pele saudável do próprio paciente. Quando isso não é possível pela extensão das lesões, o enxerto alógeno torna-se a alternativa que pode salvar a vida.

A realização com sucesso na Santa Casa amplia a capacidade de atendimento de casos graves em Mato Grosso do Sul, sem necessidade de transferência para outros estados. O hospital da Capital já é referência no tratamento de queimaduras.

Conforme a atualização, a criança segue internada no CTI pediátrico em estado grave. A pele doada será rejeitada naturalmente em algumas semanas; até lá, a equipe avalia áreas que poderão receber enxertos do próprio paciente, à medida que a recuperação permitir.