Pesquisa antecipada, comparação de valores e atenção às condições de pagamento ajudam a identificar descontos reais.
A melhor hora para começar a se preparar para a Black Friday não é quando as promoções aparecem nas vitrines virtuais. Para quem pretende aproveitar a data para comprar eletrônicos, eletrodomésticos ou outros produtos de maior valor, acompanhar os preços com antecedência pode ser a principal forma de descobrir se o desconto anunciado em novembro é realmente vantajoso.
Em 2026, a Black Friday será realizada em 27 de novembro. A expectativa é de que milhões de consumidores aproveitem a data para antecipar compras de Natal ou adquirir produtos de maior valor. Uma pesquisa divulgada pelo Google no fim de agosto apontou que 48% dos consumidores já chegariam à Black Friday com a lista de compras definida, enquanto 41% planejavam gastar mais do que em 2025.
O levantamento também mostrou que a inteligência artificial começa a fazer parte da preparação para a data: 15% dos entrevistados disseram que pretendiam usar a tecnologia para pesquisar produtos, acompanhar preços e avaliar se uma promoção realmente vale a pena.
Para 60% dos participantes da pesquisa, a Black Friday é considerada a principal data do ano para a compra de produtos de maior valor.
Comece a pesquisar antes
O Procon-SP recomenda que o consumidor não espere o dia da Black Friday para começar a pesquisar. A orientação é acompanhar desde já os preços dos produtos que estão na lista de compras.
A estratégia permite conhecer o valor médio de cada item e comparar o preço anunciado durante a promoção com os valores praticados anteriormente.
Isso é especialmente útil porque não existe tabelamento geral de preços no comércio brasileiro. Cada estabelecimento pode definir seus valores, desde que respeite as regras de informação e oferta ao consumidor.
O órgão considera abusiva a prática conhecida popularmente como “metade do dobro”, quando o preço de um produto é elevado antes da promoção para que, posteriormente, seja anunciado um desconto que não representa uma redução real.
Caso identifique uma possível irregularidade, o consumidor deve guardar provas, como capturas de tela com os preços, datas, horários, endereço da página e informações da oferta.
O Procon-SP mantém, inclusive, uma lista de sites que devem ser evitados, elaborada a partir de reclamações registradas e de situações em que fornecedores foram notificados e não responderam.
Comparadores ajudam a acompanhar os preços
A pesquisa pode ser feita diretamente nos sites das lojas ou por meio de ferramentas especializadas em comparação de preços.
Entre as opções disponíveis estão:
- Buscapé;
- BondFaro;
- Google Shopping;
- JáCotei;
- Zoom.
Os comparadores são especialmente úteis para produtos padronizados, como celulares, televisores, computadores, eletrodomésticos e outros eletrônicos. Já roupas, calçados e produtos com modelos exclusivos são mais difíceis de comparar, porque podem apresentar diferenças de fabricação, características e composição entre as lojas.
Além de verificar o preço, é importante observar o histórico do valor do produto. Um desconto anunciado em percentual pode parecer grande, mas não necessariamente representar o menor preço já praticado.
Faça uma lista antes de comprar
Outra recomendação é definir antecipadamente o que realmente precisa ser comprado.
Montar uma lista para a Black Friday e outra para as compras de Natal ajuda a evitar que a quantidade de anúncios e ofertas leve a gastos por impulso.
A orientação também aparece nas recomendações do Procon-SP, que destaca a importância de avaliar se o produto é realmente necessário e se a compra cabe no orçamento.
Atenção ao preço final
Encontrar um produto anunciado com desconto não significa, necessariamente, que aquela seja a melhor condição de compra.
Antes de finalizar o pedido, o consumidor deve conferir o valor total, incluindo frete, taxas e eventuais custos adicionais. Também é importante verificar as condições de pagamento, o número de parcelas, os juros e o prazo para quitar a compra.
O Procon-SP orienta que o consumidor confira características do produto, preço, frete, despesas adicionais, prazo de entrega e condições de pagamento antes de concluir uma compra pela internet.
Pesquise a loja antes de pagar
A preocupação não deve ser apenas com o preço. A procedência do fornecedor também precisa ser verificada.
Antes de comprar, vale pesquisar reclamações sobre a empresa em plataformas de defesa do consumidor e verificar se o site informa dados como CNPJ, endereço físico e canais de atendimento.
O Procon-SP recomenda ainda guardar documentos que comprovem a compra, como número do pedido, confirmação, comprovante de pagamento, anúncio e nota fiscal.
Outra possibilidade é consultar a própria base de reclamações do Procon-SP antes de escolher o fornecedor.
Desconto não pode comprometer o orçamento
Mesmo que a promoção seja verdadeira, a compra só faz sentido se o produto for necessário e o valor estiver dentro do orçamento.
A recomendação é evitar decisões tomadas pela sensação de urgência criada por expressões como “últimas unidades” ou “só hoje”. Uma pesquisa comportamental do próprio Procon-SP mostrou que parte dos consumidores tende a analisar esse tipo de anúncio antes da compra, enquanto outros acabam sendo influenciados pela pressão da oferta.
Na prática, a melhor estratégia para a Black Friday começa antes da data: escolher o produto, registrar os preços, comparar lojas, conferir o histórico de valores e definir quanto pode gastar.
Assim, quando 27 de novembro chegar, o consumidor terá mais elementos para diferenciar uma promoção real de uma oferta que apenas parece vantajosa.



