O Grito Rock Dourados 2026 amplia sua programação formativa com uma articulação internacional que aproxima a cena eletrônica de Mato Grosso do Sul de pesquisadores, artistas e produtores ligados à University College London (UCL). Nesta sexta-feira (25) e sábado (26), a Praça do Cinquentenário recebe o workshop de sintetizadores analógicos e hardware ao vivo, conduzido por Raffaella Fryer-Moreira, pesquisadora ligada ao UCL Multimedia Anthropology Lab.
A atividade integra o Sensing Diversity, projeto que busca construir parcerias entre pesquisadores da UCL, artistas e produtores da música eletrônica e saberes indígenas. A iniciativa é desenvolvida por Raffaella e Fabi Fernandes, em articulação com o Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC) e pesquisadores da UCL.
“O Grito Rock sempre teve essa característica de criar encontros entre diferentes conhecimentos e linguagens. Trazer uma experiência ligada à pesquisa internacional em música, tecnologia e cultura para a nossa programação amplia ainda mais essa proposta. E fazer com que essa experiência chegue também à aldeia é especialmente importante para nós, porque queremos que o festival produza troca e acesso, e não apenas apresentações”, afirma Fabi Fernandes, idealizadora do Grito Rock Dourados.
A programação também marca a chegada à região do DJ Bocara, produtor de psytrance e integrante da equipe de produção do Mundo de Oz, realizado na Aldeia Outro Mundo, em Lagoinhas (SP), considerado um dos grandes festivais de psytrance do país. Além de se apresentar no Techno Grito, no sábado (26), Bocara permanecerá na região durante a semana para participar de uma roda de conversa e de uma formação profissional voltada a DJs e produtores da cena eletrônica, com foco no desenvolvimento artístico e na preparação de artistas para circuitos nacionais e internacionais.
A formação contará ainda com participação remota da DJ Nuky, co-realizadora da Bom Shanka Music, selo ligado à cena internacional de psytrance.
Para Raffaella, a presença desses nomes ajuda a criar uma ponte entre quem já produz música eletrônica em Mato Grosso do Sul e espaços de circulação artística fora do Estado. “A ideia é trazer essa experiência internacional para quem está começando aqui, criando acesso e mostrando a importância dos artistas da região. A participação do Bocara do Mundo de Oz aproxima os artistas locais de festivais nacionais, enquanto a presença da DJ Nuky da Bom Shanka Music abre uma ponte com selos e circuitos internacionais”, explica.
Sintetizadores históricos e experiência prática
O workshop conduzido por Raffaella apresenta instrumentos que fazem parte da história da música eletrônica, como Roland TB-303, TR-909 e SH-101, além do teremim, um dos primeiros instrumentos musicais eletrônicos, que produz som sem contato físico.
A proposta é que os participantes possam conhecer, tocar e experimentar os equipamentos, entendendo como ferramentas analógicas contribuíram para o desenvolvimento da música eletrônica. A atividade é aberta tanto para pessoas sem experiência musical quanto para músicos, DJs e produtores.
“Ao oferecer às pessoas a experiência de conhecer os instrumentos originais, quem já trabalha com música eletrônica pode aprofundar seu conhecimento e situar seu trabalho artístico dentro de um contexto histórico. Mas essa experiência também é importante para quem nunca teve contato com um instrumento musical, porque os sintetizadores podem ser intuitivos e acessíveis. Queremos incentivar as pessoas a experimentar o processo de fazer som e se perceberem capazes de criar”, explica Raffaella.
No domingo (27), a ação chega ao Estúdio Ayvu, na aldeia, em parceria com o Ayvu Records. Na ocasião, serão apresentados oficialmente quatro sintetizadores doados pela Roland e pelo artista britânico de techno A Guy Called Gerald, com o objetivo de incentivar a produção de música eletrônica entre jovens indígenas da região.
Além do workshop, o momento será marcado por uma formação voltada aos artistas da aldeia e por uma troca de saberes que também envolve o DJ Bocara e Mundo de Oz. A proposta é aproximar conhecimentos relacionados à produção musical, sustentabilidade e organização de eventos em territórios indígenas.
“É extremamente importante levar o workshop para a aldeia. A proposta é apresentar esses instrumentos ao público e convidar as pessoas a aprender, experimentar e sentir essas ferramentas. Não é preciso já ser músico para participar. A ideia é justamente abrir essa porta e mostrar que a produção sonora pode estar ao alcance de diferentes pessoas”, destaca Raffa.
A ação integra o Techno Grito, frente do Grito Rock dedicada à música eletrônica, que nesta edição reúne apresentações, formação, tecnologia, experimentação e desenvolvimento artístico.
O Grito Rock Dourados conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, por meio do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, através da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).
SERVIÇO
Workshop de Sintetizadores Analógicos e Hardware ao Vivo
25 e 26 de setembro: Praça do Cinquentenário, às 16h.
27 de setembro: Estúdio Ayvu – aldeia indígena, às 16h.
Participação: aberta a iniciantes, músicos, DJs e produtores.
Entrada: gratuita.





















