A Secretaria Executiva da Mulher (Semu) realizou, na manhã desta sexta-feira (25), uma palestra alusiva ao Setembro Amarelo na Casa de Resgate de Campo, em Campo Grande, com a participação da equipe de psicólogas da pasta. A iniciativa levou informação, escuta e orientações sobre saúde emocional, autocuidado e a importância de buscar apoio diante de situações de sofrimento, considerando também as particularidades culturais e sociais da população imigrante atendida no local.
Durante o encontro, as profissionais destacaram que falar sobre prevenção ao suicídio exige, antes de tudo, criar espaços seguros para que as pessoas possam expressar sentimentos, dificuldades e experiências. Para a psicóloga da Semu, Rebeca Grubits, o trabalho com imigrantes exige um olhar atento às diferentes realidades vivenciadas por esse público.
“É um público diferente, porque é uma realidade diferente da nossa. Quando a gente fala de cultura, a gente fala de costumes, a gente fala inclusive da perda dessa pessoa do seu dia a dia, do seu lar, das pessoas que talvez fossem pessoas de apoio. Eles deixam tudo isso para trás e vêm em busca de um novo lugar, uma nova esperança, uma nova vida”, explicou.
Segundo Rebeca, além dos desafios emocionais provocados pela mudança de país, existem barreiras que podem dificultar o acesso à ajuda, como o idioma e as diferenças culturais. Por isso, a orientação para buscar apoio precisa considerar também a realidade de cada pessoa.
“Quando a gente fala, por exemplo, de suicídio, a gente fala muito em buscar apoio, em buscar ajuda, em falar, mas… e com quem essas pessoas falam? Em quem essas pessoas buscam ajuda? Existem os números para a gente ligar, mas, quando a gente liga, qual é a língua que é falada?”, questionou.
A psicóloga ressalta que a comunicação é parte fundamental do acolhimento e que compreender as diferenças culturais pode facilitar a aproximação e a construção de vínculos. “Até a questão da linguagem é uma questão complicada para a pessoa se inserir, conversar, se aliviar. Então é um público que a gente tem que ter um olhar mais cuidadoso, especial, com uma cultura diferente. Às vezes, algo que é normalizado na nossa cultura não é na deles ou vice-versa”, afirmou.
Cuidar também é pedir ajuda
A ação da Semu reforçou que o autocuidado não está relacionado apenas a hábitos individuais, mas também à capacidade de reconhecer limites e procurar pessoas ou serviços de confiança quando necessário. A escuta e o acolhimento são ferramentas importantes para fortalecer vínculos e ajudar quem enfrenta momentos de fragilidade.
Para a secretária executiva da Mulher, Angélica Fontanari, levar esse tipo de orientação a diferentes públicos é uma forma de ampliar as redes de cuidado e lembrar que ninguém precisa enfrentar sozinho situações de sofrimento emocional.
“Falar sobre saúde emocional é também falar sobre cuidado, acolhimento e respeito às histórias de cada pessoa. No Setembro Amarelo, queremos reforçar que pedir ajuda é um ato de cuidado consigo mesmo e que oferecer uma escuta sem julgamentos pode fazer diferença na vida de alguém. Nosso compromisso é aproximar as políticas públicas das pessoas e construir espaços onde elas se sintam seguras para falar e buscar apoio”, destacou Angélica.
A palestra também abriu espaço para que os participantes compartilhassem experiências e perspectivas sobre a vida no Brasil. Entre eles estava o venezuelano William Ramon, que aceitou falar sobre sua trajetória e a nova realidade encontrada em Campo Grande.
“Trabalhar, buscar uma vida melhor, dar o melhor de mim, me comportar bem e ajudar o meu próximo”, afirmou William ao falar sobre seus objetivos.
Morando no Brasil, o imigrante também relatou gratidão pela acolhida que recebeu e destacou a sensação de pertencimento encontrada no país. “Demasiado maravilhoso, me sinto feliz, agradecido com o país do Brasil, primeiramente a Deus, que Deus os abençoe e aos seus habitantes. E aqui onde eu estou, justamente, me sinto melhor que em casa, já que na Venezuela eu nunca tive uma casa. Aqui me tratam melhor que na minha própria casa”, contou.





















