
TSE acompanha avaliação e mantém monitoramento sobre possíveis ações de influência estrangeira no processo eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a acompanhar com atenção reforçada possíveis tentativas de influência estrangeira sobre as eleições brasileiras de 2026, após a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificar como “crítico” o risco de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral. O diagnóstico consta de um relatório reservado encaminhado ao TSE, à Presidência da República e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.
Segundo informações divulgadas pelo R7, a Corte acompanha o cenário por meio das áreas de inteligência e cibersegurança e mantém interlocução com órgãos responsáveis pela segurança nacional. A preocupação, porém, não está concentrada apenas na infraestrutura tecnológica usada para a votação, mas também no ambiente informacional que envolve a disputa eleitoral.
A análise da Abin aponta que uma eventual interferência externa poderia ocorrer de maneira gradual e por diferentes frentes, incluindo pressões políticas e econômicas, ações diplomáticas e influência sobre setores da sociedade. O relatório considera documentos e movimentações do governo dos Estados Unidos registrados entre novembro de 2025 e maio de 2026.
Segurança das urnas
O TSE afirma que a urna eletrônica não é conectada à internet ou a redes externas durante a votação. De acordo com informações oficiais da Corte, os equipamentos permanecem isolados de redes de comunicação, enquanto a transmissão dos dados para a totalização ocorre posteriormente por uma rede privativa.
A Justiça Eleitoral também concluiu em maio uma nova etapa de testes de segurança dos sistemas utilizados nas eleições de 2026. Segundo o TSE, os procedimentos realizados não identificaram vulnerabilidades que comprometessem o sigilo ou a integridade do voto.
Além disso, no início de setembro, os sistemas que serão utilizados nas eleições foram submetidos à assinatura digital e lacração. O procedimento permite verificar a autenticidade dos programas que serão utilizados no pleito.
Ambiente informacional é foco de preocupação
A avaliação atribuída à Abin considera que uma eventual ação estrangeira não precisaria ocorrer por meio de uma tentativa direta de acesso às urnas. O ambiente digital, a circulação de informações e a formação da opinião pública aparecem entre os pontos de atenção.
A própria Abin, em documento público sobre os desafios para 2026, aponta a desinformação, o uso de inteligência artificial e deepfakes, a polarização e o risco de interferência externa como fatores capazes de afetar a segurança e a integridade do processo eleitoral.
A preocupação com a influência estrangeira também foi manifestada publicamente por entidades científicas. A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência divulgaram, nesta semana, uma manifestação defendendo a autonomia dos eleitores brasileiros e alertando para possíveis pressões políticas, econômicas e informacionais vindas do exterior.
O que diz o alerta da Abin
O relatório reservado da agência elevou para o chamado “nível de criticidade” a possibilidade de influência e interferência externa dos Estados Unidos nas eleições de 2026. A avaliação foi encaminhada a autoridades do governo e da Justiça Eleitoral antes do primeiro turno.
Segundo a CNN, o documento aponta uma tendência de aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil e analisa medidas adotadas pelo governo norte-americano durante o período de novembro de 2025 a maio de 2026.
A Agência Pública também publicou reportagem sobre análises da Abin relacionadas ao risco de interferência externa e ao monitoramento de movimentações políticas associadas ao cenário internacional.
As informações disponíveis, entretanto, descrevem um cenário de risco e monitoramento, e não comprovam que uma operação estrangeira tenha interferido diretamente na votação ou nas urnas eletrônicas brasileiras.
Eleições 2026
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro. Os eleitores escolherão presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais ou distritais.
O TSE mantém uma estrutura específica de acompanhamento da segurança eleitoral e de cibersegurança para o pleito. Entre as medidas previstas estão testes públicos dos sistemas, mecanismos de verificação, assinatura digital dos programas e fiscalização por diferentes instituições.
Com a aproximação da votação, o monitoramento de possíveis ameaças ao processo eleitoral envolve tanto a proteção dos sistemas tecnológicos quanto o acompanhamento de tentativas de desinformação, ataques cibernéticos e eventuais ações de influência que possam afetar o ambiente em que os eleitores fazem suas escolhas.




















