Governo prepara reunião com clubes para discutir impacto do fim das bets no futebol

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Reunião deve avaliar impactos dos contratos com bets e possíveis medidas para o futebol (Foto: iStock)

Encontro deve reunir representantes das Séries A e B e discutir contratos de patrocínio e efeitos financeiros da medida

O governo federal deve se reunir na próxima semana com dirigentes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para discutir os impactos da proibição das casas de apostas esportivas no país. O encontro está sendo articulado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, e deve tratar principalmente dos contratos de patrocínio e das perdas de receitas provocadas pela medida.

A data ainda não foi definida. Segundo um executivo de um grande clube de São Paulo, a reunião ocorre em meio à reta final da campanha eleitoral. A intenção do governo é ouvir os clubes e avaliar as demandas apresentadas após a publicação da medida provisória que determinou o fim da operação das bets.

A presença das casas de apostas no futebol brasileiro cresceu nos últimos anos e passou a ocupar espaço relevante nas camisas e em outras propriedades comerciais dos clubes. Levantamento da Sports Value aponta que as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025. O valor representou cerca de 36% da receita de marketing dessas equipes.

Na Série A, os contratos também alcançaram valores elevados. O Palmeiras, por exemplo, tem acordo com a Sportingbet que pode chegar a R$ 170 milhões por temporada, considerando os valores previstos no contrato. O Flamengo mantém contrato com a Betano com valor anual de R$ 268,5 milhões, conforme informações divulgadas sobre os acordos comerciais dos clubes.

Além dos patrocínios nas camisas, as empresas de apostas também passaram a ocupar espaços relacionados às competições. A Betano, por exemplo, é patrocinadora do Campeonato Brasileiro, o que também pode afetar as receitas comerciais ligadas à competição.

A reação dos clubes

A decisão do governo provocou reação entre clubes e entidades do futebol. Dirigentes argumentam que contratos de longo prazo foram assinados com base nas regras que estavam em vigor e que a interrupção antecipada dos acordos pode provocar perdas financeiras.

O Flamengo afirmou que não seria adequado alterar de forma abrupta o marco regulatório depois de empresas e instituições terem assumido compromissos com base nas regras anteriores. O Fluminense, por sua vez, defendeu a criação de um período de transição para os contratos que já estavam em vigor.

O governo afirma que pretende ouvir os clubes antes de avaliar eventuais medidas para reduzir os impactos financeiros provocados pela proibição. O ministro do Esporte declarou que o futebol brasileiro já existia antes da expansão das casas de apostas no mercado nacional.

O que diz a medida

A Medida Provisória publicada na sexta-feira (25) determinou o encerramento das operações das plataformas de apostas de quota fixa no Brasil. As empresas devem deixar de operar e retirar seus sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro.

Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores que ainda estiverem disponíveis nas plataformas. A medida também estabelece prazos para que as empresas informem os saldos aos bancos e para que os recursos sejam devolvidos aos usuários.

Na área de publicidade, contratos já existentes têm prazo para encerramento até 5 de outubro. A partir daí, as marcas das empresas de apostas também deverão ser retiradas de peças publicitárias e propriedades de patrocínio.

O governo também encaminhou ao Congresso um projeto de lei que prevê novas regras penais para a exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa. A proposta ainda precisa ser analisada pelos parlamentares.

A reunião com os clubes deve servir para que o governo dimensione os efeitos da mudança sobre o futebol profissional e ouça as alternativas defendidas pelos dirigentes para os contratos que foram afetados pela decisão.