CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

23
Foto: PMCG

Em vez de falar apenas sobre prevenção, o CAPS III Margarida decidiu, neste Setembro Amarelo, colocar a vida no centro da conversa. Na unidade, localizada na Vila Rica, o mês ganhou cores, plantas, pintura e atividades de convivência com a proposta de tornar o espaço mais acolhedor e fortalecer entre os pacientes o sentimento de pertencimento.

Batizada de “Setembro com Cores”, a iniciativa envolve pacientes e profissionais na revitalização da área externa do CAPS. Tintas doadas por servidores e parceiros deram novas cores a pneus e outros espaços, enquanto mudas frutíferas foram plantadas no local.

A proposta surgiu de uma reflexão da própria equipe sobre como ampliar as ações do Setembro Amarelo dentro da unidade, trazendo também uma mensagem de valorização da vida. “Enquanto equipe, a gente pensou: por que não fazer um Setembro com Cores e celebrar a vida todo dia? A gente quis trazer essa perspectiva para dentro do CAPS”, explicou a assistente social Inara Luíza Cabral.

Mais do que mudar o ambiente, a ação busca reforçar uma mensagem sobre o próprio papel do CAPS: um espaço de acolhimento, acompanhamento, convivência e construção de autonomia.

CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

“O CAPS é porta aberta, não precisa agendar. As pessoas podem vir, todos serão atendidos”, explica Inara. Depois do acolhimento, cada caso é avaliado e encaminhado para o serviço mais adequado. O acompanhamento nos CAPS é destinado a pessoas que apresentam quadros que demandam cuidado especializado em saúde mental, incluindo situações graves e persistentes.

Para a assistente social, a iniciativa também ajuda a mostrar o trabalho desenvolvido no CAPS e a importância de olhar para o serviço com mais informação e menos estigmas. “O CAPS existe e é um serviço sério. Aqui, a gente acolhe, acompanha e trabalha todos os dias para ajudar as pessoas a retomarem sua autonomia e sua vida em sociedade”, enfatiza.

O psicólogo Gabriel Andrade destaca que o cuidado oferecido no CAPS vai muito além da consulta médica ou do uso de medicamentos. “Nosso olhar para os pacientes é mais humanizado e amplo. Consideramos também a realidade de cada família e o contexto social em que essas pessoas estão inseridas, no bairro e na comunidade. Por isso, trabalhamos de forma articulada com toda a rede, incluindo CRAS e CREAS.”

CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

O CAPS Margarida atende, em média, 50 pacientes por dia. Um dos desafios da equipe é ajudar a reconstruir vínculos e o sentimento de pertencimento, já que muitas pessoas enfrentam dificuldades de inserção social.

“A gente percebe que muitos pacientes chegam com os vínculos sociais fragilizados e acabam se sentindo afastados da convivência em sociedade. Por isso, nosso papel também é trabalhar essa reconexão, fortalecendo os vínculos com a comunidade, com o trabalho e com as relações do dia a dia”, ressalta Gabriel.

Nas oficinas e atividades de convivência, essas conquistas aparecem no dia a dia. São passos que ajudam a recuperar a autonomia e a confiança para retomar atividades da rotina. “A gente percebe a evolução deles, desde conseguir pegar um ônibus e ir ao mercado até fazer outras coisas do cotidiano com mais independência. São conquistas que mostram o quanto eles estão avançando”, acrescenta Inara.

CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

É nesse processo de reconstrução da autonomia e dos vínculos que a transformação do espaço também ganha significado. As cores, o plantio e a revitalização do ambiente passam a fazer parte da própria proposta de cuidado. “A gente quis trazer a vida para dentro do CAPS. As cores representam isso para nós. Nosso trabalho é ajudar cada paciente a construir uma vida mais digna, com mais autonomia, mais humanidade e mais possibilidades”, pontua Gabriel.

Demanda por cuidado em saúde mental

Os números ajudam a dimensionar o atendimento em saúde mental na Capital. De janeiro a agosto de 2026, foram registrados 158,8 mil atendimentos, 7,2% acima dos 148,1 mil contabilizados no mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, a Rede Municipal somou 226.312 atendimentos.

CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

Além do CAPS Margarida, Campo Grande conta com outros seis serviços da Rede de Atenção Psicossocial com funcionamento 24 horas: CAPS III “Afrodite Doris Contis”, CAPS III Aero Rancho, CAPS III Vila Almeida, CAPS AD III “Fátima Medeiros”, CAPS AD III Guanandi “Márcia Zen” e CAPS Infantojuvenil “Dr. Samuel Chaia Jacob”, que é destinado a pessoas de até 18 anos.

CAPS transforma Setembro Amarelo em celebração da vida com cores

Além dos CAPS, a Sesau mantém o Ambulatório Municipal de Saúde Mental, voltado para casos moderados, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h, na Rua Marechal Hermes, nº 842, Vila Almeida.

No CAPS Margarida, o colorido que tomou conta do espaço representa mais do que uma mudança no ambiente. É uma forma de lembrar, no dia a dia, que cuidado também passa por convivência, autonomia e pela possibilidade de retomar projetos e relações. É essa ideia que o Setembro com Cores leva para além do mês de setembro.