Lula e Flávio podem ganhar novos palanques em 11 estados caso haja 2º turno

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Desempenho de Lula e Flávio em cada estado poderá interferir nas disputas locais e vice-versa (Montagem: Ricardo Stuckert/PR e Vittor Sales/Flickr)

Disputas pelos governos de estados como MG e RJ podem avançar para a segunda rodada em 25 de outubro

A eleição para governador poderá ter papel adicional na disputa presidencial de 2026 caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) avancem para o segundo turno. Em pelo menos 11 estados, a corrida pelo governo tem possibilidade de continuar em uma nova votação, criando novos palanques para os candidatos à Presidência.

A avaliação é do cientista político Bruno Soller, do instituto Real Time Big Data. Ele cita Acre, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins como estados com possibilidade de segundo turno para governador.

A eventual coincidência entre as duas disputas pode alterar os alinhamentos observados no primeiro turno. Com menos candidatos nas eleições estaduais, os apoios nacionais tendem a ficar mais explícitos.

“O voto não está tão verticalizado. Tem um monte de candidatura. No segundo turno, verticaliza mais”, afirmou Soller.

Na disputa presidencial, pesquisa Real Time Big Data divulgada em 1º de outubro mostra Lula com 43% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 39% no primeiro turno. Considerando apenas os votos válidos, os percentuais são de 46% e 41%, respectivamente.

Minas Gerais pode aproximar disputas estadual e nacional

Minas Gerais é um dos estados em que a relação entre as eleições para presidente e governador pode ganhar destaque caso haja segundo turno nas duas disputas.

No governo mineiro, pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro mostra Cleitinho Azevedo (Republicanos) com 49% dos votos válidos, seguido por Patrus Ananias (PT), com 20%, e Alexandre Kalil (PDT), com 13%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O cenário ainda não permite concluir, a partir da pesquisa, se haverá definição no primeiro turno, já que o percentual de Cleitinho está dentro da margem de erro em relação aos 50% necessários para vencer sem uma segunda votação.

Na avaliação de Soller, a combinação dos resultados para presidente e governador pode influenciar a transferência de votos em um eventual segundo turno estadual.

O cientista político considera que parte do eleitorado pode votar em um candidato ao governo no primeiro turno e, ao mesmo tempo, escolher outro nome para presidente. Com a redução do número de candidatos na segunda rodada, esses alinhamentos podem ser alterados.

Rio de Janeiro tem disputa entre nomes ligados a campos nacionais diferentes

No Rio de Janeiro, a conexão entre a disputa estadual e a presidencial aparece de maneira mais direta nos apoios políticos.

Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro mostra Eduardo Paes (PSD) com 47% dos votos válidos para governador e Douglas Ruas (PL) com 35%. Anthony Garotinho (Republicanos), que tem a candidatura sub judice, aparece com 8%.

Nos votos totais, Paes tem 42%, Ruas, 31%, e Garotinho, 7%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Em um cenário de segundo turno testado pelo Datafolha entre Paes e Ruas, o ex-prefeito aparece com 52% e o candidato do PL com 38%. Esse resultado é uma fotografia do momento da pesquisa e não uma previsão do resultado eleitoral.

Menos candidatos podem deixar alianças mais claras

A possibilidade de segundo turno nos estados ocorre porque, para vencer a eleição para governador na primeira rodada, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Se ninguém atingir esse percentual, os dois mais votados avançam para a segunda votação.

Com apenas dois candidatos na disputa estadual, os partidos e candidatos podem estabelecer alianças mais definidas em torno das campanhas presidenciais.

Esse movimento pode ser relevante especialmente nos estados em que a disputa nacional também estiver concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, os candidatos ao governo podem funcionar como pontos de apoio para as campanhas presidenciais durante a segunda rodada.

A relação, no entanto, não significa necessariamente que os eleitores votarão de forma uniforme nos dois cargos. As pesquisas estaduais mostram que há diferenças entre as escolhas para presidente e governador.

Onde a disputa pode continuar

Segundo a avaliação apresentada pelo Real Time Big Data, os 11 estados com possibilidade de segundo turno para governador são:

  • Acre;
  • Amazonas;
  • Espírito Santo;
  • Maranhão;
  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Norte;
  • Rio Grande do Sul;
  • Rondônia;
  • Tocantins.

A situação pode mudar até a abertura das urnas, e pesquisas eleitorais não determinam o resultado da eleição.

Estados podem definir governador já no primeiro turno

Em outras unidades da Federação, pesquisas apontam candidatos próximos ou acima de 50% dos votos válidos, o que abre a possibilidade de definição do governador já no domingo (4).

Entre os estados citados estão Amapá, Mato Grosso do Sul, Piauí, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Também há cenários de possível definição em Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe, embora algumas dessas disputas apresentem maior grau de incerteza.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a definição no primeiro turno depende do percentual de votos válidos obtido pelos candidatos. A regra é a mesma aplicada em todo o país: para ser eleito na primeira rodada, o candidato precisa alcançar mais de 50% dos votos válidos.

O que acontece se houver segundo turno?

Se nenhum candidato ao governo atingir a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados disputam o segundo turno.

Nas eleições de 2026, o primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Na eleição presidencial, a mesma regra é aplicada: se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados avançam para a segunda rodada.

Por isso, caso a eleição presidencial e as disputas estaduais avancem simultaneamente, os últimos dias de campanha poderão reunir, nos mesmos estados, candidatos a governador e à Presidência em torno de alianças e atos eleitorais.