Entre tarjas, bulas e efeitos colaterais, texto faz uma reflexão sobre políticos, escolhas eleitorais e os riscos de manter no poder quem já apresentou sinais de “vencimento”
*Rosildo Barcellos
Ainda hoje lembro uma frase muito frequente de meu pai em época de eleições: o político é igual a remédio e se você compra errado tem uma dor de cabeça que demora 4 anos para passar! Mais uma vez asseverei: O velho de novo estava certo! Pense bem – O que você vai fazer com aquela caixa de remédio que não resolve, e qual será o remédio que irá curar os males do país.
Fiquei olhando o horizonte e imaginando os políticos passando através de uma trilha e cada um deles, vinha acompanhado de tarja (vermelha ou preta) e a respectiva bula. Poderíamos criar até uma nova tarja “a azul” que é para os políticos que ouvem suas bases, fazem as indicações que necessitamos, e não se esqueceram afinal que são os nossos representantes e que nas eleições assinamos uma procuração para que possam cuidar de nossos interesses.
Entrementes, por exemplo, na bula constariam todos os itens necessários para o correto uso e aplicação do remédio. A partir de então teríamos todas as informações acerca da indicação do produto, da sua composição, da posologia, dos efeitos colaterais, das reações adversas, e outras informações como, por exemplo, tratar os casos de intoxicação por superdosagem, cuidados no armazenamento e, sobretudo, o prazo de validade. Esse é o pior.
Usar remédio vencido por meio da reeleição traz riscos à saúde de forma incomensurável. Verifique sempre as contraindicações. Não utilize nem você nem sua família daqueles remédios que tenham problemas de quebra de decoro. Atenção especial para aqueles remédios pós-operatórios de cirurgia plástica, pois se você tomar o remédio errado pode aparecer cicatrizes indesejáveis como algumas simples alterações em registros contábeis ou ou uma severa manipulação de recursos públicos.
Deveríamos então prestar muita atenção aos remédios de tarja preta. Fabricados com matéria prima do Caso Master e dos sigilos dos 100 anos; são incomensurávelmente perigosos . Atuam no cérebro e podem deixar as pessoas completamente tresloucadas fazendo categorias inteiras quererem fazer greves. Tenha cuidado com remédios novos que, de repente, surgem no mercado. Pode
ser que você esteja, apenas, servindo de cobaia para as indústrias farmacêuticas. E, finalmente, é bom lembrar que, apesar de todos estes cuidados, ainda existem os remédios falsificados… Esses são os piores. É que não ajudarão em nada no tratamento.
Ah! está rindo. É que não sabe, não percebeu ou não sentiu os efeitos colaterais de um remédio de péssima qualidade. Para se ter uma ideia o indivíduo pode ter problemas no sangue (máfia dos sanguessugas) ou pode ter a síndrome da fome excessiva de acumulação de capitais de terceiros ou ainda uma doença nova que ainda está em fase de estudos “a Tigrezinhoterapia” com acessos intermitentes de jogatina hipotérmica em bingos e jogos de azar. Por isso a conclusão não pode ser outra! Não tome remédio sem o conhecimento médico. Pode ser prejudicial a sua saúde.
*Colunista do Enfoque MS. Este artigo é o de numero 2002 de sua carreira ao longo de 33 anos. São 61 livros publicados. Três deles lançados no exterior. Este mês será homenageado na FIBAC/Festival Ibero Americano de Arte e Cultura no Rio de Janeiro em 25 de outubro – Organização Aline Melo, e em 17 de outubro no museu do Sal na região dos lagos com o Prêmio FLISPA/Feira Internacional de Literatura.- organização Renato Fulgoni.












