Dia Mundial do AVC: saiba reconhecer os sinais e como agir para evitar complicações

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Pessoa com sintomas de AVC (Foto: Divulgação)

Neste quinta-feira (29) é celebrado o Dia Mundial de Combate ao AVC (Acidente Vacular Cerebral), também conhecido como derrame. Trata-se de um déficit neurológico súbito, que ocorre quando há a interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para uma região do cérebro, privando as células de oxigênio e nutrientes.

Segundo o Ministério da Saúde, podem ocorrer por consequências de um coágulo (isquêmico, o mais comum) ou devido a um sangramento (hemorrágico). Em ambos os casos, as células cerebrais deixam de receber oxigênio e podem sofrer danos irreversíveis, provocar a incapacidade motora e funcionar e até mesmo levar à morte, inclusive, é considerada a 2ª maior causa de morte no mundo.

Em um material divulgado no seu site, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) alerta que os sintomas, embora apareçam leves e passageiros, podem ser o sinal de um derrame. “Esperar para ver se melhora pode significar perder a chance de preservar funções como fala, movimento e independência”, reforça a neurologista Isabela de Carvalho Florêncio.

O AVC acontece de repente e os sinais podem ser notados imediatamente pelas pessoas que estão interagindo com o paciente. “Quem está tendo o derrame começa a falar de maneira diferente, perde a força em um dos braços ou sente uma alteração inesperada na visão. Uma única alteração de início repentino já é motivo para procurar atendimento de emergência”, alerta.

Em algumas situações, a pessoa apresenta apenas uma dificuldade discreta para movimentar um braço, uma alteração da sensibilidade, dificuldade para encontrar palavras ou tontura súbita acompanhada de desequilíbrio. “O AVC tem data e hora para acontecer, justamente porque os sintomas começam de forma súbita”, explica a neurologista.

Reconheça com o método SAMU

Uma maneira prática de identificar algumas das manifestações mais comuns é utilizar o mnemônico SAMU. Fácil de lembrar e aplicar:

  • 😬 S — Sorriso: um lado da boca caiu?
  • 💪 A — Abraço: um braço não sustenta?
  • 🗣️ M — Música/fala: fala arrastada, confusa ou não repete frase?
  • ⚡ U — Urgência: ligue 192 imediatamente, mesmo que os sintomas pareçam leves ou tenham passado!

Outros sinais de alerta

  • Perda súbita de visão ou escurecimento de um lado;
  • Tontura forte com desequilíbrio;
  • Confusão ou alteração de consciência;
  • Fraqueza que atinge um lado do corpo.

O HU reforça que, se os sintomas desapareceram em minutos, pode se tratar de um Ataque Isquêmico Transitório (AIT). “É um aviso de que o AVC pode acontecer em breve. É preciso investigar a causa e agir antes que o quadro se agrave”, diz a neurologista.

O que fazer enquanto espera pelo socorro

Ao perceber os sinais de AVC, a primeira atitude é ligar para o socorro, como Corpo de Bombeiros ou SAMU. As principais orientações enquanto aguarda a chegada da ambulância são:

✅ Anote o horário em que os sintomas começaram — é a informação mais importante para a equipe médica;
✅ Mantenha a pessoa confortável e observando a respiração;
❌ Não dê água, comida nem remédios (incluindo aspirina ou qualquer outro) — pode piorar;
❌ Não espere os sintomas passarem para pedir ajuda

“O horário do início dos sintomas é uma informação essencial para a equipe médica. Quando o paciente acorda já apresentando alterações, por exemplo, é importante informar quando foi visto bem pela última vez, geralmente antes de dormir. Esse dado ajuda a determinar quais tratamentos podem ser considerados”, explica a especialista.

Tratamento existe, mas tem prazo

Um AVC pode provocar dificuldades para caminhar, falar, compreender, enxergar, engolir ou realizar atividades cotidianas. Em alguns pacientes, as consequências também envolvem alterações de memória, atenção, comportamento e estado emocional.

A rapidez no diagnóstico e no tratamento pode influenciar as chances de recuperação. “Mesmo quando não há indicação de tratamento para desobstruir a artéria, a avaliação rápida e os cuidados especializados continuam sendo fundamentais”.

Quem já sofreu um AVC também precisa de atenção contínua. A investigação da causa do primeiro episódio permite definir medidas para reduzir o risco de recorrência, que podem incluir medicamentos específicos, controle rigoroso e mudanças no estilo de vida.

Ainda conforme a especialista, o AVC não é só questão de idade. Entre os principais fatores estão a hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, má alimentação, predisposição genética e problemas cardíacos em qualquer faixa etária.

“A prevenção não deve começar apenas na velhice. Cuidar da pressão, do peso e não fumar são medidas que valem para todas as idades”, completa a Dr. Isabela Florêncio.