Brasil registra média de 50 mortes por dia por câncer de próstata

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Câncer de próstata (Foto: Reprodução)

Levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Urologia aponta aumento de 20% nos óbitos em dez anos

O câncer de próstata provocou cerca de 18,5 mil mortes no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 50 óbitos por dia. Os números, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base em dados do Ministério da Saúde, reforçam o alerta do Novembro Azul: a doença pode evoluir sem apresentar sinais nas fases iniciais, justamente quando as possibilidades de tratamento bem-sucedido são maiores.

Segundo a entidade, o total de mortes registrado no ano passado foi cerca de 20% superior ao de 2015, quando foram contabilizados 15,4 mil óbitos. Desde 2017 até setembro de 2026, o país já acumulava mais de 160 mil mortes pela doença.

O cenário também preocupa pelo número de novos diagnósticos. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 77.920 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens, desconsiderados os cânceres de pele não melanoma.

Doença pode não apresentar sintomas no início

Um dos principais desafios no combate ao câncer de próstata é a ausência de sintomas nas fases iniciais. Quando as manifestações aparecem, podem incluir dificuldade para urinar, demora para iniciar ou terminar o jato, diminuição do fluxo urinário e necessidade de ir ao banheiro com mais frequência, inclusive durante a noite.

Em estágios mais avançados, também podem surgir sangue na urina e dores nos ossos, especialmente quando a doença se espalha para outras partes do corpo. Esses sinais, porém, não significam necessariamente câncer e precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

De acordo com o presidente da SBU, Roni Carvalho Fernandes, esperar o aparecimento de sintomas pode atrasar a identificação do tumor e reduzir as possibilidades de tratamento.

A entidade destaca que, quando descoberto em estágio inicial, o câncer de próstata pode apresentar até 90% de chances de cura. Por isso, a campanha Novembro Azul busca incentivar os homens a cuidar da saúde e conversar com profissionais sobre os riscos e as formas de investigação da doença.

Como é feita a investigação

A avaliação pode incluir o exame de sangue para medir o PSA, sigla em inglês para antígeno prostático específico, e o toque retal, procedimento que permite ao médico avaliar o tamanho, o formato e a textura da próstata.

Alterações nesses exames não confirmam, por si só, a presença de câncer. Quando há suspeita, o especialista pode solicitar exames complementares e indicar uma biópsia, que permite analisar uma amostra do tecido prostático e confirmar ou descartar o diagnóstico.

A orientação sobre quando realizar os exames deve considerar idade, histórico familiar, condições de saúde e possíveis benefícios e riscos. O Inca não recomenda o rastreamento indiscriminado de toda a população masculina sem sintomas. A decisão deve ser discutida individualmente entre médico e paciente.

Homens com dúvidas ou fatores de risco devem procurar uma unidade de saúde ou um urologista para receber orientação. Histórico familiar da doença, especialmente em parentes de primeiro grau, e idade avançada estão entre os fatores que merecem atenção.

Novas opções de tratamento

O tratamento depende do estágio da doença, das características do tumor e das condições de saúde do paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, terapia hormonal e, em situações específicas, acompanhamento por vigilância ativa.

Uma das novidades recentes foi a incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), da prostatectomia radical assistida por robô para pacientes com câncer de próstata localizado ou localmente avançado. A decisão foi publicada pelo Ministério da Saúde em 2025, com prazo de até 180 dias para a efetivação da oferta.

Outra mudança ocorreu em 2026, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou o uso de terapias focais, como o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação.

No HIFU, ondas de ultrassom concentradas são direcionadas à região afetada para destruir o tecido doente por meio do calor. Já a crioablação utiliza sondas que provocam o congelamento do tecido tumoral.

As técnicas são alternativas para situações selecionadas e não substituem automaticamente os tratamentos convencionais. A indicação deve ser feita por especialista, após avaliação dos riscos, benefícios e características de cada caso.

Novembro Azul

Realizada ao longo de novembro, a campanha Novembro Azul chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. A iniciativa também procura estimular os homens a procurar atendimento médico e a conversar sobre a própria saúde, sem esperar pelo aparecimento de sintomas.

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e responsável por produzir parte do líquido que compõe o sêmen, contribuindo para a nutrição e proteção dos espermatozoides.