Mercado muda previsão e passa a apostar na manutenção dos juros em 13,75%

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(Foto: Marcelo Casal JR- AB)

Decisão do Banco Central será anunciada na quarta-feira (4), após reunião do Copom

A mudança nas apostas ocorreu após a divulgação de novos indicadores econômicos e o aumento das preocupações com a inflação. O resultado do segundo turno das eleições presidenciais também entrou no cálculo de risco dos investidores, especialmente em relação à condução das contas públicas no próximo governo.

Um levantamento das opções de Copom negociadas na B3, com base nos contratos até 26 de outubro, apontava 63,1% de probabilidade de manutenção da taxa. Já a chance de redução de 0,25 ponto percentual era de 28%. Após o resultado das eleições, a probabilidade implícita de manutenção chegou a 68,8%, segundo dados divulgados pela CNN Brasil. Esses números representam expectativas dos investidores, e não uma previsão oficial do Banco Central.

A Selic está em 13,75% ao ano desde setembro, quando o Copom promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual, no quinto corte consecutivo. Na ocasião, o comitê afirmou que o tamanho dos próximos ajustes dependeria das novas informações sobre a economia e destacou a necessidade de cautela diante das incertezas e dos riscos para a inflação.

Inflação, dólar e cenário internacional pressionam decisão

Entre os fatores que levaram o mercado a rever as projeções estão a alta do dólar, a pressão sobre os preços do petróleo e a piora das expectativas de inflação.

Segundo o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, as projeções do mercado para o IPCA de 2026 passaram de 4,90% para 5,19% desde a reunião anterior do Copom. Para 2027, a estimativa subiu de 4,30% para 4,34%. No mesmo período, o câmbio passou de aproximadamente R$ 5,10 para R$ 5,40 por dólar.

O economista avalia que a combinação desses fatores reduz o espaço para novos cortes. O C6 Bank espera que a Selic permaneça em 13,75% até o fim de 2026 e também durante 2027.

A equipe do Itaú tem avaliação semelhante. O banco espera que o Copom interrompa o ciclo de redução dos juros e mantenha a taxa no patamar atual, em uma decisão unânime. A instituição aponta o ambiente internacional mais adverso, a pressão inflacionária no Brasil e o distanciamento das expectativas em relação à meta como motivos para uma postura mais conservadora.

O HSBC também prevê manutenção dos juros em 13,75% até março de 2027. Entre as preocupações citadas pelo banco estão os preços de energia e alimentos, os gastos públicos e a possibilidade de aumento das incertezas fiscais.

No cenário externo, a continuidade dos conflitos no Oriente Médio e da guerra na Ucrânia mantém a atenção sobre o mercado de petróleo e combustíveis. A elevação dos custos de transporte, seguros e do risco associado ao fornecimento da commodity pode chegar aos preços de produtos e serviços, dificultando o controle da inflação.

Apesar da tendência predominante de manutenção, há instituições que ainda trabalham com a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual. É o caso do Inter e do ASA, que consideram que a desaceleração da atividade econômica pode permitir mais uma redução, embora reconheçam que o espaço para novos ajustes diminuiu. O Daycoval também avalia que um corte ainda seria possível, dependendo da interpretação do Banco Central sobre os indicadores econômicos.

O que é a Selic e como ela afeta o consumidor

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve como referência para diversas operações financeiras. O Banco Central utiliza esse instrumento para controlar a inflação e manter os preços dentro da meta estabelecida.

Quando os juros sobem, empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito tendem a ficar mais caros. Com isso, famílias e empresas costumam reduzir o consumo e os investimentos, o que ajuda a diminuir a pressão sobre os preços.

Quando a Selic cai, o movimento tende a ocorrer no sentido contrário: o crédito pode ficar mais barato, estimulando o consumo e a atividade econômica. A redução, porém, não é automática nem igual para todas as modalidades, já que as taxas cobradas pelos bancos também dependem de fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem das instituições.

A decisão do Copom será divulgada na noite de quarta-feira (4), após o encerramento da reunião do comitê.