Intenção de consumo em Campo Grande supera média nacional, mas diferença entre rendas aumenta

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(Foto: PMCG)

Pesquisa aponta índice de 108,7 pontos em outubro. Famílias com renda acima de 10 salários mínimos estão mais otimistas, enquanto consumidores de menor renda enfrentam dificuldades com crédito e compras.

A confiança das famílias de Campo Grande no consumo voltou a apresentar pequena queda em outubro, mas continua acima da média brasileira. O resultado esconde, porém, uma diferença crescente entre os consumidores: enquanto as famílias de maior renda estão mais otimistas e dispostas a gastar, as de menor poder aquisitivo enfrentam mais dificuldades para acessar crédito e manter o ritmo das compras.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) chegou a 108,7 pontos na Capital, recuo de 0,7% em relação a setembro. Mesmo com a queda, o indicador ficou 3,3% acima do registrado em outubro de 2025, quando marcou 105,2 pontos. A média nacional foi de 103,4 pontos, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Comércio MS.

A pesquisa é realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em parceria com a Fecomércio MS e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da entidade (IPF-MS). Resultados acima de 100 pontos indicam uma percepção de satisfação das famílias em relação às condições de consumo.

Diferença entre faixas de renda mais que dobra

O levantamento mostra que a confiança está concentrada principalmente entre os consumidores com maior poder aquisitivo. Nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice chegou a 130,8 pontos, alta de 0,6% no mês e de 13,1% na comparação com outubro do ano passado.

Já entre aquelas que recebem até 10 salários mínimos, o indicador caiu 1% e ficou em 104,4 pontos. Embora ainda esteja acima da linha de satisfação, o avanço anual foi de apenas 1,2%.

Com isso, a distância entre os dois grupos passou de 12,4 pontos, em outubro de 2025, para 26,4 pontos neste ano. O resultado indica que a melhora na confiança não está sendo percebida da mesma maneira pelas famílias campo-grandenses.

Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, o cenário é favorável para a economia local, mas exige atenção às condições enfrentadas pelos diferentes perfis de consumidores.

Segundo ele, o mercado de trabalho continua sustentando o otimismo, mas a recuperação não ocorre com a mesma intensidade entre as faixas de renda. O desafio, na avaliação do dirigente, é ampliar as condições para que o consumo avance também entre as famílias mais sensíveis aos custos do crédito e dos financiamentos.

Emprego sustenta confiança, mas renda e crédito preocupam

Entre os componentes avaliados pela pesquisa, o Emprego Atual apresentou o melhor resultado, com 141,7 pontos. Mais da metade dos entrevistados, 54,6%, afirmou sentir mais segurança em relação ao próprio emprego do que há um ano.

A percepção positiva, no entanto, não se reflete com a mesma força na renda. A Perspectiva Profissional recuou 1,7% em outubro, enquanto o indicador de Renda Atual caiu 0,6%. Para 47,3% dos entrevistados, os ganhos permanecem no mesmo nível do ano passado.

O acesso ao crédito também continua sendo um obstáculo. Apesar de ter avançado 1,5% no mês, o indicador ficou em 95,4 pontos, abaixo da faixa de satisfação. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o resultado foi ainda menor: 91,7 pontos.

A dificuldade aparece na percepção dos consumidores: 23,7% afirmaram que conseguir crédito está mais difícil, enquanto 19,1% consideram que o acesso melhorou.

A economista do IPF-MS, Regiane Dedé, avalia que a segurança em relação ao emprego ainda não se transformou em aumento equivalente da renda e do consumo, principalmente entre as famílias de menor rendimento. Para ela, a ampliação da diferença entre os grupos mostra que a confiança está mais concentrada nos consumidores com maior poder aquisitivo.

Famílias continuam comprando menos

Mesmo com uma melhora mensal de 1,8%, o indicador de Nível de Consumo Atual permaneceu abaixo de 100 pontos e fechou outubro em 89,4 pontos. O levantamento aponta que 35,5% das famílias estão comprando menos do que há um ano. Entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o percentual chega a 39%.

A cautela também aparece nas decisões de compra de produtos de maior valor. O indicador que mede o Momento para Compra de Duráveis caiu 5,6% e terminou o mês em 91,9 pontos.

Quase metade dos entrevistados, 47,8%, considera que o período não é favorável para adquirir eletrodomésticos, eletrônicos e outros bens duráveis. A avaliação negativa também alcança as famílias de maior renda, sinalizando que o custo dos financiamentos continua influenciando as decisões.

Para os próximos meses, a Perspectiva de Consumo permaneceu praticamente estável, em 100,4 pontos. A diferença entre as faixas de renda, porém, continua: enquanto os consumidores de maior rendimento demonstram maior disposição para ampliar os gastos, os demais mantêm uma postura mais cautelosa.

Black Friday e vendas de fim de ano

A proximidade da Black Friday e das festas de fim de ano abre uma oportunidade para o comércio de Campo Grande, que deve encontrar consumidores com níveis diferentes de disposição para comprar.

A confiança acima da média nacional e a percepção positiva sobre o emprego podem favorecer as vendas. Por outro lado, o acesso mais restrito ao crédito e a preocupação com os custos de financiamento tendem a pesar nas compras de maior valor.

Nesse cenário, condições de pagamento atrativas e ofertas voltadas ao orçamento das famílias podem fazer diferença para os lojistas que buscam ampliar as vendas nos últimos meses do ano.