Marinha tem 90 dias para concluir inquérito sobre afundamento de barcaça no Rio Paraguai

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Foto: Divulgação

A Marinha tem prazo de 90 dias para concluir o inquérito administrativo que apura o afundamento parcial de uma barcaça no Rio Paraguai, no Porto Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. A informação foi apresentada pelo capitão de fragata Eduardo Miranda, comandante da Capitania dos Portos do Pantanal, durante participação na Câmara Municipal de Corumbá, na noite do dia 3.

O acidente ocorreu no sábado, 31, e a barcaça é utilizada pela empresa mineradora LHG Mining. Segundo o comandante, a Capitania tomou conhecimento do caso de forma imediata e instaurou a investigação para identificar as circunstâncias do afundamento e eventuais responsáveis.

Representantes da empresa e trabalhadores portuários estão sendo convocados para prestar depoimentos. Conforme informou o capitão, o processo será submetido a julgamento na esfera da Marinha do Brasil.

A embarcação sofreu um rompimento parcial na região central. O comandante ressaltou que as causas ainda estão em apuração e que não é possível atribuir responsabilidade antes da conclusão dos trabalhos. A investigação reúne informações para avaliar possíveis fatores técnicos, operacionais ou humanos. 

 Marinha tem 90 dias para concluir inquérito sobre afundamento de barcaça no Rio Paraguai

TERMINAL ISOLADO

De acordo com o capitão Miranda, a área do acidente foi isolada e sinalizada, e o terminal portuário está inoperante. A retomada das atividades depende da retirada segura da embarcação e das verificações sobre a carga e as condições do local.

A empresa manifestou intenção de remover a barcaça, mas deverá apresentar um plano de salvatagem elaborado com a participação de uma empresa credenciada e profissionais qualificados junto à Marinha. O objetivo, segundo o comandante, é executar a operação sem provocar danos ambientais ou riscos às pessoas.

O plano passará por análises da Capitania e deverá receber aprovação do Comando do 6º Distrito Naval antes do início da operação. Miranda explicou que essas etapas podem demandar tempo, em razão dos cuidados necessários à retirada.

MONITORAMENTO AMBIENTAL

A Capitania atua em parceria com o Ibama e o Imasul no acompanhamento do caso. Segundo Miranda, os órgãos estão compartilhando informações para subsidiar as avaliações, respeitando as atribuições de cada instituição.

As análises ambientais são realizadas desde o acidente para acompanhar a qualidade da água e verificar a presença de materiais e alterações de turbidez. Ainda está sendo apurado se houve saída de carga da barcaça e quais seriam os possíveis impactos ambientais.

Questionado pelos vereadores sobre a regularidade da embarcação, o comandante afirmou que a documentação estava em ordem. Segundo ele, a barcaça passou por inspeção da Capitania em 24 de julho e foi aprovada. Também possuía certificação de entidade classificadora e seguro.

Miranda ponderou que a regularidade documental não descarta a possibilidade de uma falha material. A embarcação tem mais de dez anos, mas, conforme explicou, estava autorizada a navegar.

A forma de carregamento e a quantidade de carga também estão sendo investigadas. O comandante informou que as equipes verificam o carregamento durante as inspeções e que, neste caso, ainda é necessário apurar como a operação foi realizada.

Durante a sessão, vereadores levantaram hipóteses sobre concentração de carga e fadiga do material, além de mencionarem possíveis imagens do terminal. Miranda não confirmou essas hipóteses e ressaltou que os dados estão sendo coletados para fundamentar as conclusões do inquérito.

Sobre o acesso da Câmara às informações, o comandante explicou que o material permanece inicialmente sob responsabilidade da Capitania e que os resultados poderão ser disponibilizados após a conclusão do relatório. Ao encerrar sua participação, colocou a instituição à disposição para colaborar com os esclarecimentos à população.